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EDITORIAL: As vendas das refinarias RLAM, REMAN e SIX foram péssimos negócios

Publicado em 17/01/2022 Lido 2883 vezes

Rosângela Buzanelli, votou contra todas estas vendas e enfrentou os abutres do conselho

As vendas das refinarias RLAM, REMAN e SIX foram péssimos negócios para a Petrobrás. A Petrobrás vendeu as refinarias na hora errada, num período em que o mercado de combustíveis estava retraído pela pandemia. Mais ainda, vendeu num momento em que os preços internacionais do petróleo estavam em baixa, devido a disputas geopolíticas entre Rússia, Arábia e Estados Unidos. A Petrobrás vendeu por preços ínfimos em relação ao seu valores reais, vendeu por preços baseados puramente no fluxo de caixa, sem levar em conta o mercado cativo de fornecimento de combustíveis garantido pela venda conjunta dos ativos logísticos associados às refinarias. A RLAM foi vendida por um valor 45 a 50% inferior à estimativa do cenário-base calculado internamente pela Petrobrás, considerando uma projeção de estabilização dos preços de petróleo a U$35 por barril. A subavaliação também foi apontada pela XP Investimentos e Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep). O seguro dos ativos das refinarias feito pela Petrobrás até 2025 prevê um valor superior aos preços de venda, não incluindo os ativos dos terminais, como tancagens e oleodutos vendidos conjuntamente.

O mercado de combustíveis alcançado pela RLAM, 14% do mercado nacional, principalmente os estados da Bahia e Sergipe, e outros na região norte e nordeste, sequer foi levado em consideração. A mesma coisa aconteceu com o mercado da REMAN que atende toda região norte e o Maranhão e representa aproximadamente 6% do mercado nacional de combustíveis. A Petrobrás perdeu imediatamente este mercado, e coloca em risco também a perda do mercado do Centro-Oeste do Brasil. Para penetrar novamente nestas regiões, a Petrobrás terá que investir em logística um valor substancialmente maior que o valor de venda das refinarias. Em outras palavras, a diretoria executiva e o conselho de administração atual da Petrobrás desistiram deliberadamente destes mercados por decisões ideológicas.

As vendas das refinarias foram péssimos negócios para os acionistas. Afetarão o fluxo de caixa líquido anual da Petrobrás na ordem de 3% a 5%, enquanto os dividendos distribuídos imediatamente com os valores de venda das refinarias não passaram de 2,5% do total de dividendos distribuídos anualmente. Do preço de venda, boa parte deverá ficar retido num fundo de garantia do passivo ambiental, enquanto o restante foi distribuído como dividendos para os acionistas. Nenhum centavo foi usado para abatimento de dívida ou reinvestimento. Ou seja, as vendas atenderam apenas os anseios dos acionistas minoritários, representados atualmente por abutres no conselho de administração.

As vendas das refinarias foram péssimos negócios para a Bahia e região norte porque retiraram totalmente a Petrobrás do mercado. A Petrobrás não tem mais penetração nesses mercados porque vendeu conjuntamente todas as logísticas associadas às refinarias. A RLAM foi vendida com o Terminal Madre de Deus e todos os oleodutos de petróleo e derivados, que integram a rede da refinaria ao Complexo Petroquímico de Camaçari e todos os quatros terminais no estado: Candeias, Itabuna, Jequié e Madre de Deus. A REMAN, os terminais e três portos de recebimento e entrega de derivados aos quais se liga foram também vendidos conjuntamente. Definitivamente, não haverá a garantia da isonomia de fornecimento às distribuidoras porque se havia um monopólio estatal, agora existe um monopólio privado sem qualquer controle do Estado ou da ANP. Ou seja, toda logística, terminal, tancagem, dutos nestas regiões ficaram com empresas financeiras, que sem competição com eventual outro produtor de combustíveis, maximizaria os preços. Em outras palavras, aos consumidores restarão a volatilidade e os altos preços dos combustíveis.

As vendas das refinarias foram péssimos negócios para o Brasil, porque foi apenas a troca de um fornecedor estatal por um único fornecedor privado na região, sem qualquer controle do Estado, levando definitivamente a perda da competitividade na cadeia de fornecedores. Os compradores não são produtores diretos de petróleo no Brasil ou em outra região. São empresas financeiras que comprarão petróleo ou derivados a preços internacionais, reduzindo a margem de lucro no processamento nas refinarias, e contabilmente no fornecimento para as distribuidoras. Logo, ocorrerá um lucro contábil mínimo, pagamento mínimo de impostos e preços máximos dos derivados.

A nossa representante no conselho de administração da Petrobrás, Rosângela Buzanelli, votou contra todas estas vendas, e enfrentou os abutres do conselho. Em seus votos, mostrou a cada membro do conselho as suas responsabilidades pelos péssimos negócios realizados e os impactos na Petrobrás e no Brasil, e apontou para negligência e as decisões ideológicas em cada votação do CA.

Agora, chegou sua hora de se posicionar se as vendas das refinarias foram péssimos negócios para a Petrobrás, acionistas, povo brasileiro e para o Brasil.

Posicione-se, vote 1000, vote Rosângela Buzanelli.

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