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Os mil dias de terra arrasada no Brasil com o governo Bolsonaro

Publicado em 01/10/2021 Escrito por  Fernando Alcoforado Lido 624 vezes

face-homem Sua permanência no poder significará o agravamento dos problemas econômicos e sociais

Os mil dias do governo Bolsonaro se caracterizam por transformar o Brasil em situação de terra arrasada porque está conduzindo o País a um desastre humanitário de gigantescas proporções sem precedentes em sua história. A situação de terra arrasada se manifesta no nível político com o risco de comprometimento da democracia, no nível econômico com o risco de bancarrota da economia nacional, no nível social com o risco de agravamento da fome e da miséria da grande maioria da população brasileira, no nível ambiental com o risco de aumento da devastação do meio ambiente do País e no nível da soberania nacional com o risco de alienação de grande parte do patrimônio nacional com a antinacional política de privatizações.

A situação de terra arrasada no Brasil no nível político está ocorrendo com a escalada do fascismo na sociedade brasileira pela ação do presidente Jair Bolsonaro que buscou desde que assumiu o poder colocar em prática sua proposta de governo tipicamente fascista baseada no culto explícito da ordem, na violência de Estado, em práticas autoritárias de governo, no desprezo social por grupos vulneráveis e fragilizados e no anticomunismo. Esta situação atingiu o ápice com os atos antidemocráticos do 7 de setembro quando o presidente Jair Bolsonaro tentou dar início a um golpe de estado com manifestações em várias capitais do Brasil as quais foram dominadas por discursos golpistas e por faixas, cartazes e gritos autoritários e antidemocráticos dele e de seus apoiadores. Em seus discursos em Brasília e em São Paulo, Bolsonaro ameaçou o STF de golpe e afirmou que só sairia morto da presidência da República, que não vai aceitar mais prisões de seus adeptos e que não obedecerá as decisões da Justiça. O fracasso da insurreição com os atos do 7 de setembro contra o sistema democrático existente no Brasil não significa que ela não possa ocorrer no futuro.

A situação de terra arrasada no Brasil no nível econômico é caracterizada pela estagnação da economia brasileira cujo PIB (Produto Interno Bruto) registrou queda de 4,1% em 2020, na comparação com 2019, afetado pela pandemia do coronavírus. Este péssimo desempenho econômico resultou da queda do consumo pela população provocada pelo gigantesco desemprego em massa, pela queda do investimento privado em consequência da estagnação econômica do País e pela queda do investimento público devido à crise fiscal existente, bem como ao esforço do governo de reduzir a participação do Estado na economia com suas políticas neoliberais. O resultado da ação do governo Bolsonaro é o horror da terra arrasada econômica caracterizada pela bancarrota da economia brasileira com a falência generalizada de empresas, pelo desemprego em massa sem precedentes na história do Brasil com cerca de 28 milhões de brasileiros desempregados e desalentados, pela inflação galopante e pelo aumento vertiginoso dos preços dos combustíveis, das tarifas de energia elétrica e das taxas de juros bancárias.

A situação de terra arrasada no Brasil no nível social é caracterizada pela catástrofe que se manifesta no fato de o governo Bolsonaro nada fazer para reduzir as taxas de desemprego não reativando a economia, atuar em prejuízo dos interesses dos trabalhadores promovendo medidas visando remover os direitos sociais da população, contribuir para o número elevado de infectados e mortos pelo coronavirus no Brasil ao sabotar o combate ao vírus e, sobretudo, por contribuir para o aumento da pobreza e a escalada da fome. Relatório do Banco Mundial mostra que o número de pobres no Brasil aumentou em 7,3 milhões desde 2014. São 43,5 milhões no total, num retrocesso galopante. O número de pessoas vivendo em situação de fome estrutural aumentou cinco vezes desde o início da pandemia, chegando a mais de 520 mil. E mais 20 milhões de pessoas foram empurradas em 2021 a níveis extremos de insegurança alimentar. A fome e a miséria alcançam milhares de famílias. A falta de dinheiro faz com que cerca de 32 milhões de pessoas passem fome e mais 65 milhões de pessoas se alimentem de forma precária. Diante desta catástrofe social, o governo Bolsonaro nada faz para atenuá-la.

A situação de terra arrasada no Brasil no nível ambiental é caracterizada por sua desastrosa política do meio ambiente ao não considerar as diretrizes da ciência, tornar inoperante o Ministério do Meio Ambiente, contribuir para o crescimento das queimadas e o desmatamento na Amazônia Legal, bem como não obedecer ao Acordo de Paris de combate à mudança climática global assinado pelo governo brasileiro. Desde 2019, o governo Bolsonaro tomou uma série de medidas que colaboram para o aumento do desmatamento no Brasil responsável pela maior parte das emissões de CO2 do Brasil. O discurso de Bolsonaro tem funcionado como uma chancela ao desmatamento. Nunca houve antes, em nenhum governo democrático brasileiro o incentivo ao desmatamento como o de Bolsonaro. Outra consequência da ação do governo Bolsonaro tem sido o completo desmantelamento dos órgãos de fiscalização do meio ambiente. Trata-se de uma grande catástrofe produzida pelo governo Bolsonaro cuja ação está levando à destruição da Floresta Amazônica com a manifesta intenção de abrir caminho para atividades de mineração, agricultura, pecuária e madeireira.

A situação de terra arrasada no Brasil no nível da soberania nacional reside no fato de o governo Bolsonaro adotar políticas contrárias aos interesses do País ao tornar o Brasil submisso em relação aos Estados Unidos no cenário internacional que se manifestou na decisão de entrega da Base de Alcântara e ao romper com a tradição da política externa brasileira reconhecida mundialmente por pautar suas ações por alguns princípios dos quais quase nunca abriu mão, como os de não intervenção nos assuntos internos de outros países, de autodeterminação dos povos e de solução pacífica de controvérsias. A política externa brasileira do governo Bolsonaro vai em direção ao alinhamento subalterno do Brasil, também, em relação ao capital internacional, que se manifestou na decisão de desnacionalização da Embraer com sua venda à Boeing e a privatização dos setores de refino, distribuição e transporte de óleo e gás da Petrobras.

Pelo exposto, levando em conta a situação de terra arrasada em que se encontra o Brasil nos mil dias do governo Bolsonaro, sua permanência no poder até o final de seu mandato significará o agravamento dos problemas econômicos e sociais que serão agravados pelo colapso no suprimento de energia elétrica em consequência da crise hídrica que afetará, também, o abastecimento de água doméstico, a produção industrial e agrícola. A crise humanitária alcançará níveis insuportáveis em 2002 com a pobreza, fome e a miséria da grande maioria da população brasileira batendo todos os recordes. O Brasil está, portanto, diante da maior catástrofe humanitária de sua história que só se reverterá com o afastamento imediato de Bolsonaro e seus aliados do poder.

* Fernando Alcoforado, 81, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944 , 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia - Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável - Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017), Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019) e A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021).

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