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Clique para ampliar a imagem`   A análise a seguir, quase um desabafo, A rota do 'Titanic': ameaça de apagão não é de agora Naufrágio do Titanic (gravura de Willy Stower, domínio público)

A rota do 'Titanic': ameaça de apagão não é de agora

Publicado em 16/06/2021 Lido 1271 vezes

'Por incrível que pareça, no Brasil, térmicas caras esvaziam reservatórios!'

 

A análise a seguir, quase um desabafo, é de Roberto Pereira D'Araujo, do Ilumina: "O velho aqui é teimoso e não desiste. A reportagem sobre o colapso dos reservatórios cada vez mais lembra o trajeto do Titanic. Bastaria o desvio de alguns graus na rota, e o navio sequer veria o iceberg. Enquanto estivermos olhando para os reservatórios vazios em novembro e não analisarmos o trajeto que nos colocou nessa situação, não aprendemos nada.

"Em primeiro lugar, não é verdade que a 'crise hídrica' atual, que vai culpar S. Pedro, La Nina e o desmatamento, seja inédita. O histórico de afluências dos rios brasileiros mostra que o período 1951–1956, conhecido como crítico, foi tão seco quanto o atual.

"Insisto em mostrar algo até hoje incompreendido inclusive por diversos analistas experientes. O leilão de 2008 contratou muitas térmicas caras (carvão, óleo e diesel). Elas compõem a 'oferta' de energia, mas no nosso singular sistema, o Operador evita usá-las em nome da redução do custo de operação. Quando aproximadamente 10.000 MW compõem uma energia muito cara, o ONS usa água no seu lugar. Portanto, por incrível que pareça, no Brasil, térmicas caras esvaziam reservatórios!

"Esse esgotamento do estoque não começou agora. Essa é a rota do Titanic que precisamos analisar. Por que um leilão genérico acabou contratando térmicas? Porque o mercado livre, que hoje representa 30% do consumo total, não participou da expansão de oferta, viciado em comportamentos especulativos sobre preços de 'sobras' e hidrologias favoráveis. O leilão gerou problemas por conta do custo de operação dessas usinas e foi necessária a Eletrobras oferecer parcerias minoritárias para o setor privado, caso contrário nem Belo Monte, nem Jirau, nem S. Antônio e nem Teles Pires sairiam do papel. Já imaginou esse cenário?

"O que me incomoda, depois de mais de 40 anos de setor elétrico, é exatamente o desprezo pelas trajetórias. Os que me criticam dizem que eu estou com o espelho retrovisor. Preferem apagar essa visão do trajeto percorrido e cometer erros que nem novos são. Ao contrário do que o governo afirma, nosso trajeto mostra um setor privado arredio e muito dependente de BNDES e Eletrobras. Seja o que S. Pedro quiser."

Fonte: Monitor Mercantil

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