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Caminhoneiros recorrem à Petrobrás pelo fim da PPI

29 Abril Lido 1400 vezes

Acreditam que, por ser um militar, Silva e Luna pode ter uma visão mais nacionalista

Os caminhoneiros recorreram à Petrobras para apresentar à nova gestão da empresa seus argumentos em defesa das mudanças no cálculo de reajuste do óleo diesel. Num encontro virtual de uma hora e meia, pela manhã, as três principais lideranças da categoria pediram o fim da Política de Paridade de Importação (PPI), que prevê reajustes de preços no Brasil quando a cotação internacional do petróleo e o dólar sobem. Os caminhoneiros não querem mais uma solução fiscal do governo. A reivindicação, agora, é por uma posição favorável do novo presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna.

O general do Exército assumiu o comando da Petrobras no último dia 19. Desde então, pouco falou sobre os preços dos combustíveis. O tema é polêmico. Foram, justamente, os recorrentes aumentos do diesel nos primeiros três meses do ano, de mais de 40%, o pivô do embate de Bolsonaro com o ex-presidente da petrolífera, Roberto Castello Branco. Ele foi demitido pelas redes sociais um mês antes do seu sucessor chegar. O presidente da República acusou o executivo, na época, de ser insensível aos apelos dos consumidores, principalmente, dos caminhoneiros.

Além de ser uma importante base de apoio do governo, a categoria tem sempre na manga o trunfo de poder parar o País, como fez na greve histórica de maio de 2018. O movimento de paralisação de estradas e atrasos na entrega de produtos de primeira necessidade à população levou o então presidente da Petrobras, Pedro Parente, a pedir demissão do cargo. O governo de Michel Temer deu uma solução momentânea ao problema, instituindo um subsídio ao preço do diesel. Mas, já no primeiro ano de gestão de Bolsonaro, as reivindicações voltaram à tona e perduram até hoje.

Nesta sexta-feira termina o prazo de isenção fiscal sobre o combustível. A expectativa dos caminhoneiros é de que o preço volte a subir em seguida, em proporções ainda maiores, já que Estados aumentaram o ICMS nos dois últimos meses em que os tributos PIS e Cofins estavam zerados. Com isso, o preço do diesel até subiu em março e abril – 0,5%, segundo cálculo do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), a partir de dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O encontro desta quarta-feira com a Petrobras foi liderado pela Confederação Nacional dos Transportadores Rodoviários de Carga (CNTRC), que agrega sindicatos de todo País. Ao lado do presidente da entidade, Plínio Dias, estiveram o representante da confederação em São Paulo, Flávio Zamith, e o presidente da Associação Nacional do Transporte Autônomo do Brasil (ANTB), José Roberto Stringasci. O interlocutor da Petrobras foi o gerente de Marketing, Sandro Paes Barreto, segundo os sindicalistas. A Petrobras não informou o nome do seu representante.

Ao marcar a conversa, a intenção do grupo era, num primeiro momento, apresentar seus argumentos ao corpo técnico da empresa, antes de Silva e Luna anunciar qualquer decisão sobre a política de preços dos combustíveis em sua gestão. Mas ainda aguardam, para os próximos dias, uma conversa diretamente com o general.

A Petrobras, por meio de sua assessoria de imprensa, informou ao Broadcast que "no encontro representantes da empresa ouviram a visão do setor sobre os preços dos combustíveis no Brasil".

Os caminhoneiros acreditam que, por ser um militar, o novo presidente da Petrobras pode ter uma visão mais nacionalista da empresa, menos alinhada com os interesses do mercado financeiro e dos investidores estrangeiros do setor. Na prática, defendem a adoção de preços internos lastreados pelos custos de produção em real, e não em dólar. Reivindicam também a suspensão das privatizações. A pauta é a mesma da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), uma entidade de trabalhadores da estatal, também de cunho nacionalista. Um economista da associação, Cláudio Costa, também participou da conversa, na condição de assessor.

"A expectativa é de uma solução imediata para o preço do diesel e não só para os caminhoneiros", disse Dias. Já Zamith, de São Paulo, avalia que, ao pressionar a Petrobras e mobilizar a categoria, as lideranças sindicais ajudam Bolsonaro a derrubar o PPI da Petrobras. Os caminhoneiros veem no presidente da República um aliado, mas esperam uma atitude favorável, no curto prazo.

Na próxima sexta-feira e no sábado, a CNTRC vai reunir seus sindicatos, virtualmente, para discutir possíveis ações para as primeiras semanas de maio. Não há nenhuma indicação de greve, por enquanto. "A gente está com receio do dia primeiro de maio (quando a medida provisória que define isenção fiscal para o diesel perde a validade). Até agora, não recebemos indicação de que a isenção será prorrogada", afirmou.

Presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, o Chorão, disse estar "procurando uma possibilidade de prorrogação". O sindicalista, que ganhou notoriedade na greve de 2018, projeta um aumento de preço do diesel de cerca de 8% com o retorno da cobrança do PIS/Cofins

Fonte: ADVFN News

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