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Porque países perdem o bonde da história e o fracasso brasileiro

01 Março Escrito por  Luís Nassif Lido 584 vezes

luis nassifÉ instrutivo o artigo de Martin Wolf, o principal colunista do Financial Times, acerca da decadência do Reino Unido.

Não a decadência secular, que o fez perder a hegemonia mundial para os Estados Unidos, mas a estagnação após a crise financeira de 2008.
Desde a crise, a produtividade do Reino Unido estagnou. Cria-se, então, uma situação de soma zero: só se pode melhorar a vida de alguns piorando a dos demais, receita certa para o conflito, diz Wolf.

A estagnação não se restringe ao Reino Unido. Pegou todos os países de alta renda do grupo do G7, com a produção por hora, entre 2010 e 2019, caindo mais acentuadamente do que entre 1990 e 2000.
No Reino Unido foi pior. Caiu de uma taxa anual de 2,6% para 0,4%. No G7, apenas a Itália teve desempenho pior.

Os indicadores mostram claramente o tamanho da desaceleração. O investimento fixo bruto anual médio, de pouco mais de 16% do PIB, foi o menor do G7 no período 2010-2018. Em relação ao investimento médio em pesquisa e desenvolvimento, o Reino Unido perdeu apenas para a Itália. Como as novas tecnologias estão incorporadas em novas máquinas, baixo investimento em P&D significa baixo crescimento da produtividade.

buscar as explicações em David Sainsbury, empresário, ex-Ministro de Ciência no governo Tony Blair, da escola industrialista de Alexander Hamilton e Joseph Schumpeter.

O ponto central – que afeta mais ainda o pensamento econômico brasileiro – é o fato da economia neoclássica não ter uma teoria do crescimento, por não ter uma teoria da inovação. Aliás, os filhos de Roberto Campos nada aprenderam com as políticas implementadas por ele, criando a Finep (Financiadora de Estudos e Pesquisas).

Sainsbury define quatro condições para o desenvolvimento:

a. Demanda por novos produtos e serviços.

b. Oportunidades tecnológicas para atividades específicas.

c. Empresas capazes de explorar essas oportunidades.

d. Instituições capazes de apoiar essas empresas.

Dadas essas condições, o crescimento seria um processo evolutivo caracterizado por tentativa e erro, incerteza, economias de escala e escopo, externalidades de rede, monopólios temporários e vantagem cumulativa. O caminho óbvio, apontado pela experiência histórica, seria explorar novas oportunidades que geram vantagens duradouras em setores de alta produtividade e, portanto, altos salários.

Existiriam quatro estratégias possíveis para a inovação:

a. Deixá-la para o mercado.

b. Apoiar o fornecimento de fatores de produção relevante (ciência e pessoas qualificadas).

c. Apoiar indústrias e tecnologias chave.

d. Escolher empresas/tecnologias/produtos específicos.

Segundo ele, os governos devem trabalhar no segundo e terceiro campo, mas não no último, que deve ser deixado para banqueiros e capitalistas de risco. Mas cabe aos governos financiar a ciência e o desenvolvimento de habilidades científicas e promover alguns indústrias e tecnologias amplas.

Enquanto isto, no Brasil, a gestão Paulo Guedes destrói fabricantes de chips, reduz a capacidade de investimentos da Petrobras, corta financiamentos para tecnologia e inovação.

No final dos anos 80, o técnicos do BNDES, liderados por Júlio Mourão, prepararam uma estratégia para inserção competitiva do Brasil na economia mundial. A estratégia foi desmontada pela política cambial implementada pelo Plano Real.

Mesmo com sua postura francamente mercadistaa, o governo FHC permitiu a criação de um núcleo inicial para políticas científico-tecnológicos. O governo Lula-Dilma ensaiou projetos de política industrial, quebrou a cara em alguns, foi bem sucedido em outros, especialmente nas pesquisas da Petrobras em águas profundas, envolvendo redes de pesquisadores, e no Programa de Desenvolvimento Produtivo, para o setor de saúde. Houve erros e aertos mas, principalmente, a convicção do aprendizado, do aprimoramento das políticas.

Com a Lava Jato e o governo Bolsonaro, tem-se agora a terra arrasada.

Fonte: GGN

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