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Coutinho: A verdadeira precaução é defender o desenvolvimento

Publicado em 29/04/2020 Lido 1250 vezes

Sem elevação do consumo de energia não há aumento de bem estar social

Em sua participação no programa Duplo Expresso do último domingo (26), o presidente da AEPET, Felipe Coutinho, afirmou que os efeitos do possível aquecimento global de origem antropogênica – hipótese posteriormente rebatizada como mudanças climáticas - não são iguais para todos os países e isto deve ser levado em conta na formulação de acordos internacionais de precaução. "Para nós brasileiros, o princípio da precaução é defender o desenvolvimento nacional. Precaução, para o Brasil, é aumentar o consumo per capita de energia primária, pois ele é muito baixo. Aceitar limitações seria condenar grande parcela da população à morte ou a redução da expectativa de vida".

Para Coutinho, isto se torna mais grave quando sabemos que o país dispõe de condições ótimas para a produção de energia, inclusive potencialmente renovável, que representa importante parcela de nossa matriz energética. "Foram os países centrais que mais consumiram energia fóssil, não podemos pagar por isso. Para o Brasil, ser precavido é defender o interesse nacional", reiterou.

O presidente da AEPET lembrou que ideias como "petróleo sujo e ultrapassado" representam a falácia típica que convenceram os brasileiros a permitir a entrega de nossas riquezas primárias sem agregação de valor no país, desde o pau-brasil, recursos poderiam ser utilizados para o nosso desenvolvimento. "A melhor energia para o Brasil é aquela que, ao contrário de alternativas como solar e eólica, seja confiável e barata. Exportar petróleo cru não vai desenvolver o país. O que industrializa é um plano nacional, conduzido pelo Estado, utilizando empresas como a Petrobrás e recursos naturais que a empresa foi competente para encontrar".

Petróleo x renováveis

O Duplo Expresso debateu os efeitos da queda dos preços do petróleo na competitividade das energias alternativas. Coutinho ponderou que, a despeito da recente queda acentuada dos preços do petróleo, a viabilidade das energias potencialmente renováveis já dependia da transferência de renda petrolífera, através da incidência desigual de carga tributária e dos créditos de carbono, assim a crise econômica e sanitária apenas agravou este fato.

"O mundo de hoje continua inteiramente dependente dos combustíveis fósseis. Quando o preço do petróleo cai, dificulta a transferência da renda petrolífera para o financiamento das energias renováveis. Uma alternativa que está se construindo são os créditos de carbono, que obrigam a indústria petrolífera a pagar pela produção de carbono, gerando créditos que irão financiar a produção de energias potencialmente renováveis. Com a queda dos preços de petróleo essa transferência também fica prejudicada."

De acordo com o presidente da AEPET, esse mecanismo de transferência interessa aos países centrais, porque as maiores empresas de petróleo do mundo são estatais de países periféricos, que são obrigadas a transferir renda para a “indústria verde”, controlada pelo sistema financeiro concentrado nos países centrais.

Coutinho frisou que o papel típico das crises cíclicas do sistema capitalista e do atual preço conjunturalmente baixo do petróleo é destruir o capital menos produtivo, como as petrolíferas menos eficientes. "A função da crise, que já estava instalada antes da pandemia, é desvalorizar o capital para que se possa retomar o ciclo de lucratividade. Mesmo com o preço alto do petróleo, a indústria petrolífera do folhelho dos EUA (shale), por exemplo, já demonstrava ineficiência. Geração de caixa livre negativa, endividamento para sustentar os altos e continuados investimentos, dependência de crédito barato e das injeções monetárias do governo norte-americano, desde 2008. Neste momento, possivelmente o Estado norte americano virá em socorro deste e de outros setores. Na retomada, o aumento da demanda vai devolver a lucratividade do setor, já saneado", disse, ponderando, no entanto, que isso implica em sofrimento: desemprego e falências.

Petrobrás no pós-crise

O presidente da AEPET considera absurdo que a Petrobrás siga na diretriz adotada desde 2015, de concentrar as atividades na produção e exploração de petróleo cru. "Com os preços baixos ou moderados fica claro que essa alternativa que compromete totalmente o resultado da Companhia, já que refino, transporte, comercialização e distribuição são os segmentos que geram caixa nesses momentos. A BR Distribuidora e as malhas de gasodutos são fundamentais não apenas para a empresa, mas também para os consumidores. Precisam ser recuperadas", defendeu.

Coutinho ponderou também que os efeitos das privatizações já estavam sendo sentidos antes da pandemia. "O balanço de 2019 já mostrou isso, pois o lucro resultou da alienação de ativos (BR e TAG). A Petrobrás precisa produzir petróleo no ritmo da expansão de nosso mercado interno, a preços mais baixos para o consumidor. Existe uma demanda reprimida e a empresa deve seguir junto com o crescimento do país. Sem crescimento do consumo de energia não há aumento de bem estar", resumiu.

Clique aqui para assistir a entrevista

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