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Desafios à inserção nas cadeias globais de valor

06 Março Lido 820 vezes

Brasil permanece como exportador de manufaturas simples

Na edição de 2020 do World Development Report, o Banco Mundial avalia que atualmente cerca de 50% do comércio internacional se dá por meio das cadeias globais de valor (CGV), o que, segundo o Banco, traz maiores contribuições para o desenvolvimento dos países em comparação com outros fluxos de comércio.

Em um período de 20 anos, um país que aumenta 1% de sua participação nas CGV seria capaz de elevar sua renda per capita em mais de 1%, segundo estimativas do Banco Mundial. Isso significa o dobro do efeito do comércio internacional fora das CGV.

O Banco considera ainda que nos últimos anos as CGV impulsionaram o crescimento global, melhoraram a qualidade dos empregos ofertados e promoveram redução da pobreza.

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Os efeitos positivos, porém, são verificados sobretudo em países que conseguiram sofisticar progressivamente sua inserção nas CGV. O relatório identifica padrões de inserção definidas a partir de fatores como geografia, dotações de fatores produtivos, tamanho de mercado e qualidade das instituições. São quatro os padrões identificados: especializados em commodities; manufatura simples; manufatura avançada e serviços; e atividades inovativas.

De 1990 a 2015, dentre os países que conseguiram melhorar sua inserção, destacam-se República Tcheca (de manufatura simples para atividades inovadoras), Argentina e Indonésia (de commodities à manufatura simples), China, Índia, Tailândia, Turquia, Portugal (de manufatura simples à avançada e serviços), Áustria, Israel, Itália, Espanha (de manufaturas avançadas para inovadoras). Já o Brasil não apresentou progresso, permanecendo como exportador de manufaturas simples.

Um dos principais canais pelos quais as CGV se mostraram benéficas foi o avanço da produtividade. O crescimento do comércio por meio das cadeias elevou a produtividade dos países em desenvolvimento cuja inserção nos processos produtivos internacionais foi profunda, como China, Vietnã e Bangladesh, onde a pobreza diminuiu de forma notável.

Há sinais, contudo, de que a engrenagem favorável das CGV parou. O relatório mostra que, desde a crise financeira de 2008, a expansão das CGV manteve-se estável, devido à desaceleração do PIB mundial e ao acirramento de conflitos comerciais.

O Banco Mundial estima que, se as tensões comerciais piorarem, até 31 milhões de pessoas podem entrar na pobreza, isto é, passar a receber menos de US$ 5,5 por dia. Com isso, a renda global seria reduzida em cerca de US$ 1,4 trilhão.

Outro desafio consiste no surgimento e difusão das novas tecnologias 4.0. O Banco avalia, por exemplo, que o avanço da robotização nos países avançados pode comprometer o desempenho exportador dos países em desenvolvimento. A perda de exportações de bens para a OCDE devido à robotização poderia ficar entre 29,7% e 53,7% no caso do México, de 17% a 29,7% no caso da China e de 11,5% a 17% no caso do Brasil.

Apesar dos riscos, a visão do Banco Mundial é a de que as novas tecnologias 4.0 tendem a ter mais efeitos positivos do que negativos sobre renda e emprego mundiais, embora possam gerar desigualdades.

Novos processos produtivos podem reduzir o trabalho humano por unidade de produção, mas isso deve ser mais do que compensado pelos efeitos positivos das CGV nos outros setores, atraindo trabalhadores de tarefas menos produtivas para tarefas de maior valor adicionado. Nesse sentido, é provável que novas tecnologias de produção continuem impulsionando o comércio.

Assim, seja para reduzir os impactos adversos das novas tecnologias, seja para reativar as CGV, em desaceleração desde 2008, potencializando seus efeitos positivos, se faz necessário um conjunto de políticas públicas. O Banco defende ações que promovam a abertura comercial, ampliem sua conectividade com o restante do mundo e estimulem a cooperação entre os países.

Como as CGV também podem levar a uma distribuição desigual dos ganhos do comércio, o Banco Mundial recomenda que os países fortaleçam seus sistemas de proteção social e ambiental. Algumas ações neste sentido:

• Apoio à formação e capacitação e à oferta de informações às pequenas e médias empresas para que se conectem às CGV;

• Apoio a pequenos produtores agrícolas, com serviços de extensão agrícola, instrumentos de gerenciamento de risco etc.;

• Políticas no mercado de trabalho para apoiar grupos prejudicados pelas mudanças estruturais: facilitar a mobilidade da mão de obra e o primeiro emprego, reforçar sistema de seguro-salário (como o bem-sucedido modelo de “flexigurança” da Dinamarca);

• Medidas ambientais, como precificar a degradação ambiental, incentivar inovações de bens e processos de produção “verdes”, tributar emissão de carbono etc.

Fonte: IEDI

Última modificação em Sexta, 06 Março 2020 17:49
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