Imprimir esta pg
0
0
0
s2sdefault

Brasil quer importar prejuízo americano com o shale gas

04 Fevereiro Lido 2571 vezes

Maioria de tais projetos são inviáveis com a cotação do petróleo na casa de US$60/boe

"O ministro Bento Alburqueque deveria ler conhecer mais sobre os assuntos da sua pasta, para evitar desperdício do dinheiro público." O comentário é do geólogo Luciano Seixas Chagas após declaração do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, no Primeiro Fórum de Energia Brasil-EUA, quando Albuquerque revelou a intenção do governo brasileiro de "se beneficiar" da exploração do shale gas (gás de folhelho), com "apoio" dos Estados Unidos.

"Praticamente quem ganha com o gás de folhelho nos EUA são as companhias de serviços tipo Baker, Schlumbeger, e Halliburton, etc. A maioria dos projetos lá instalados têm fluxo de caixa negativo apesar das bacias intra cratônicas estadunidenses terem evolução térmica favorável para a geração de petróleo e serem absolutamente diferentes das bacias similares brasileiras, inclusive no porte", criticou Seixas, recomendando que o ministro assista o vídeo, no YouTube, do geólogo americano Scott Thinker do Bureau de Geologia do Texas, no qual Thinker mostra que a maioria de tais projetos são inviáveis com a cotação do petróleo na casa de US$60/boe.

"É impressionante como os temas são abordados aqui com o conhecimentos rasos e absolutamente desprovidos de EVTE’s ou algo que os suportem. A esperança dos operadores americanos era que os Permian silts and fine sands, mais facilmente fraturáveis, franjas sedimentares de antigos reservatórios produtores, apresentassem melhores resultados que os dos sweets spots dos folhelhos(shales)", prosseguiu o geólogo. Para ele, na verdade as companhias que dominam a tecnologia do shale gas pretendem vender serviçoes para outros países. "Somente os incautos ou alguns interessados em ganhar dinheiro com tais serviços ou mirabolantes consultorias, vendem ou tentam vender tais serviços, principalmente para os que analisam de modo vago o assunto e tentam influenciar, positivamente, quem decide".

De acordo com o especialista, o Brasil tem pessoal qualificado para fazer tais análises e muitos deles estão na Petrobrás. "Quem ganha com isso? Por que as grandes petroleiras, como Exxon, Shell, Equinor, etc, não investem tal ativo no Brasil como a Devon fez nos EUA? Como está a Devon? Por que as majors nos USA tentam se livrar de tais ativos?", resume Seixas.

 

Avalie este item
(14 votes)
0
0
0
s2sdefault
Veja algumas métricas do portal.
Subscribe to this RSS feed