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Desemprego é violência contra a democracia

28 Agosto Escrito por  José Carlos de Assis Lido 616 vezes

Jose Carlos de Assis Trabalho remunerado é única âncora de sobrevivência do trabalhador

COMO SAIR DESSA ENRASCADA

Conhecemos a saída de uma situação de recessão e de alto desemprego desde os anos 30. O New Deal norte-americano e o Novo Plano Alemão tiraram a economia de uma profunda depressão reduzindo substancialmente o desemprego em cinco anos. Depois a Segunda Guerra fez o resto, mas é claro que, no caminho que ia, o desemprego iria acabar de qualquer maneira a partir de uma política econômica correta, a favor do povo, com o New Deal.

Por que não repetir a dose, agora que temos no Brasil taxas de desemprego pornográficas? Na verdade, a dose foi aplicada nos países civilizados ao longo de todo o período posterior à Segunda Guerra, promovendo baixíssimas taxas de desemprego. A desgraça social veio com o neoliberalismo, ao longo das últimas quatro décadas. O neoliberalismo rejeita qualquer tipo de intervenção do Estado na economia, exceto intervenções que favorecem o capital. Com isso, estamos entregues aos Paulos Guedes da vida, com suas políticas de massacre do trabalho em acordo coma seita neoliberal.

Desemprego vem junto com queda de salários. É o efeito do chamado “exército industrial de reserva”, quando massas de desempregados pressionam o mercado em busca de emprego. Aí aceitam qualquer salário. Contra isso, não há remédio político a não ser o da retomada da economia pelo pleno emprego. Isso leva ao capitalismo regulado pela política de pleno emprego, contra o capitalismo selvagem, neoliberal, do tipo Paulo Guedes e Rodrigo Maia.

UMA MISSÃO CÍVICA

Caminhoneiros e petroleiros têm um importante elo em comum: trabalham em atividades de caráter essencialmente estratégico, relacionadas profundamente com o interesse público. Tudo o que se relaciona com energia e transporte diz respeito a essas categorias. É uma força considerável na sociedade. Entretanto, como toda força relevante, só pode ser usada em último caso, quando o interesse público está em jogo.

Já foi o tempo em que trabalhador era apenas objeto de políticas em seus setores de atividades. Por sua proximidade com áreas de interesse público, o trabalhador, no caso de caminhoneiros e petroleiros, acompanha as políticas públicas como se fossem suas. É uma espécie de participação na soberania nacional. Muito mais legítima do que a intervenção do Capital, que em geral está interessado somente em ter lucro.

O anunciado propósito de privatização das refinarias da Petrobrás é uma descarada agressão à soberania nacional. Interessará exclusivamente aos picaretas internacionais do mercado de petróleo. O povo não ganhará nada com isso. Setores que usam derivados de petróleo, do diesel ao gás de cozinha, ficarão nas mãos de especuladores – assim como ficaram, recentemente, com as políticas de mercado da Petrobrás. Abriremos uma frente importante de esclarecimento e conscientização sobre isso. E se vier loucura por aí, vamos agir na rua.

Fonte: IBGE

A pretendida privatização da BR também é uma agressão à soberania nacional. Com essa empresa a Petrobrás faz chegar gasolina e diesel a todos os rincões do país e aumenta sua capacidade de investimento. Não será o caso com as privadas internacionais que só vão querer lucro.

O Brasil tem mais de 13 milhões de desempregados. E mais de 27 milhões de pessoas que ganham abaixo do nível de sobrevivência, em virtual miséria. Isso é culpa exclusiva do Governo. Todos os países civilizados têm políticas eficazes de combate ao desemprego. Nós não temos. Para os neoliberais no Governo, o “mercado” livre acaba com o desemprego.

Governos que não atacam o desemprego, sobretudo em épocas de recessão e depressão, como é nosso caso, violam própria democracia e provocam direta e indiretamente convulsões sociais. Depois, com o aprofundamento da crise social, convocam a Polícia e as Forças Armadas para impedir a revolta do povo. E os novos “capitães do mato”, agora contra o trabalhador e não contra o escravo, funcionam como leões de chácara do neoliberalismo.

O trabalho remunerado é a única âncora de sobrevivência do trabalhador.

Quando a democracia moderna foi fundada, no século XVIII, um de suas bases era o direito à propriedade privada em face do Estado. “E os que não tem propriedade privada?”, perguntou um filósofo, Johan Fichte. A resposta podia ser: tem o seu trabalho. “Mas como garantir trabalho para todos?”. A resposta civilizada seria: Por uma política de pleno emprego, ou por uma revolução social.

Desde 2015 que não temos política de pleno emprego. Na verdade, temos política de desemprego, sob o nome de ajustes fiscais: cortes nos orçamentos em cima de receita do Governo em contração. Com isso caem o consumo, o investimento, a receita e os gastos públicos, com a economia girando em sentido contrário ao crescimento. O emprego desaba, e a economia escala no ciclo depressivo gerando sempre mais depressão e desemprego. Jovens vão para a marginalidade, meninas para a prostituição e os mais idosos para o desalento.

José Carlos de Assis é economista e professor da UFPE

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