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Alerta Nação

Data: 01/06/1999 
"Um engano não se torna verdade por meio de uma ampla divulgação, nem a verdade se torna um engano porque ninguém a enxerga" - M. K. Gandhi.

As reservas pertolíferas das maiores empresas de petróleo sediadas nos EUA, se parassem hoje de importar petróleo e derivados, só dariam para atender o atual ritmo de demanda por menos de seis anos. A guerra contra o Iraque, onde foram gastos quase cem bilhões de dólares dos países industrializados e a morte de mais de milhares e milhares de civis, visou "convencer" os países produtores a cederem às pressões militares.
Em 29 de junho de 1977, Henry Kissinger declarava à Folha de São Paulo que os países industrializados deveriam "montar um sistema mais requintado e eficiente de pressões e constrangimentos garantidores da consecução dos seus intentos", "a um preço próximo do custo de extração e transporte" " dos recursos não renováveis" ( entenda-se petróleo e minérios estratégicos).
Já o Presidente Figueiredo e a maioria das Forças Armadas, que sempre defenderam o Monopólio Estatal do Petróleo, da Energia Elétrica e Das Telecomunicações conseguiam experimentar na carne o que representava o "sistema mais requintado e eficiente de pressões e constrangimentos".
A vida privada do Presidente Figueiredo, que estava implementando a abertura democrática, transformou-se em alvo diário das chacotas e ridicularização pelos humoristas das três principais redes de tevê que tantos benefícios e vantagens receberam dos governos militares. Tudo feito em nome da liberdade.
O Presidente Itamar, que resistia a algumas teses entreguistas foi alvo de uma grande armação carnavalesca pela equipe de reportagem de uma das gigantescas de Tevê, a serviço das multinacionais e dos banqueiros, a quem desagradavam as declarações do presidente de reduzir os juros, ainda situados entre os maiores do mundo.
O novo Presidente prometeu antes da penúltima eleição que haveria salvaguardas para nossas reservas de petróleo e para a Petrobrás, reafirmando sua "palavra de honra" aos congressistas relutantes em aprovar a reforma constitucional, de que a flexibilização não significaria entrega de nossas reservas.
Mas, ao criar a Agência Nacional do Petróleo, para (des)regulamentar a política de produção, transporte, refino e comercialização de petróleo e derivados, transferiu a um frágil grupo os destinos do setor petróleo e da economia brasileira, que pode ser manipulada sem ouvir, praticamente, qualquer congressista ou representante do poder judiciário, num convite a todas as chantagens e "processos de convencimento" já conhecidos de todo o mundo.
Assistimos a dilapidação do patrimônio das estatais de energia e telecomunicações, a abertura exagerada de importações, que levaram à quebra de milhares de empresas nacionais com centenas de milhares de desempregados, assistimos o patrimônio da Vale do Rio doce ser entregue por menos de um milionésimo do seu real valor.
Vemos diariamente os juros exorbitantes pagos pelo Brasil ao capital especulativo, aumentar a cifras astronômicas as dívidas externa e interna do País e antevemos o "golpe" final de um grande empréstimo, tendo como garantia nossas reservas petrolíferas, como aconteceu no México, e a entrega de campos já pesquisados aos "comandantes do exército de ocupação", já instalados, a portas fechadas, no prédio da própria Petrobrás para decidirem o que mais lhes interessa, diante das informações até então privilegiadas.
Conclamamos a todos para manifestarem o seu repúdio e convidarem os representantes eleitos para discutir, em reunião aberta ao público sobre como enfrentar a nova situação de risco ao país.

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