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O Desmonte da Petrobrás

Data: 01/06/1999 
Na conferência que acaba de fazer Fernando Siqueira, com a autoridade de um ex-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, mostrou que não foi à toa que se modificou o regime de monopólio, que vinha fortalecendo a Petrobrás, desde que foi instituído pelo Decreto número 35.308, de 2 de abril de 1954, e mantido em duas Constituições, a de 1946 e a de 1988 que, ao que nos parece, ainda está em vigor, mesmo antes de o regime parlamentar com que sonha o sr. Fernando Henrique Cardoso para uma Presidência permanente.
Não foi apenas a criação do monopólio, que fora consagrado numa campanha memorável, que sempre teve o apoio, senão o entusiasmo do povo brasileiro.Com o apoio de um ex-presidente da República, já no governo de Getúlio Vargas, o monopólio se estabeleceu no Decreto número 35.308, de 2 de abril de 1954, para não mais sair da legislação brasileira, até a gestão do sr. Fernando Henrique Cardoso, que começou o trabalho de seu desmonte, com o mesmo empenho com que lutou pela sua reeleição, que quatro Constituições brasileiras haviam proibido, em 1991, 1934, 1946 e, finalmente, 1988, contando esta última com o seu próprio voto. Embora reduzido, o monopólio total da Petrobrás está correndo perigo, com a presença e a atuação de um genro do sr. Fernando Henrique, se é que não vem do próprio presidente as reformas que já estão em andamento, com as bênçãos de uma instituição familiar. O monopólio estatal da Petrobrás, que mereceu acolhida numa Constituição presidida pela grande figura de Ulysses Guimarães, está sendo desfigurada por uma série de emendas que correspondem em número aos sorrisos do presidente da República.
Nessa conferência Fernando Siqueira tomou a iniciativa de mostrar que estamos em face de um plano, de que não se sabe ainda até onde vai chegar. Não será apenas o início da destruição total, que se está promovendo com desmonte do monopólio, que era uma das maiores conquistas do patriotismo brasileiro desde a campanha de 1950? É o tema da conferência de Fernando Siqueira, que considera chegado o momento de defender a Petrobrás, cumprindo um dever como um dos sócios de maior categoria da Associação dos Engenheiros dessa grande empresa.
Nunca se pensou numa agência criada exatamente para isso, para competir com a Petrobrás. E, quando aparece essa agência, colocada sob a presidência de um genro do sr. Fernando Henrique Cardoso, não se incluiria nesse plano a intenção de colocar em papel secundário a própria instituição que, afinal, foi criada para colocar o Brasil entre os produtores de petróleo? Parece que não há dúvida de que essa agência foi criada para competir com a Petrobrás, ou pelo menos, para exercer funções que até agora vinham sendo executadas pela própria Petrobrás.
Pelo que nos diz Fernando Siqueira na sua conferência, o que está em jogo é o próprio patrimônio da Petrobrás, sobretudo com a ânsia do próprio genro do sr. Fernando Henrique Cardoso em deixar a impressão de que não é apenas um parente apadrinhado que está em causa, mas uma personalidade que conquistou as boas graças do sogro para o desmonte da Petrobrás. Não seria o caso de recordar a campanha que se fez antes pela sua criação que agora conquista um novo alento, no momento mesmo em que aparece, com o apoio total do presidente, uma entidade para fazer concorrência com a própria Petrobrás?
Esse o sentido da conferência que Fernando Siqueira acaba de fazer. De certo com o apoio dos membros da Associação dos Engenheiros da Petrobrás. Tanto mais quando se quer dar a impressão de que esses engenheiros não cumpriram todas as suas funções e deixaram claros que a agência do genro do presidente virá desfazer.
Há, em tudo isso, um ponto ainda a esclarecer. Ninguém supõe que se criou uma agência para empregar um genro do presidente. Não estará em causa o pleito das empresas distribuidores de petróleo?
Parece-nos que há coisas, intenções, predisposições disfarçadas e escondidas. Interesses enormes, muito maiores do que simplesmente colocar em causa o prestígio dos engenheiro

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