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Petrobrás na mira

Data: 01/06/1999 
"É a mesma estratégia aplicada na YPF; quebra do monopólio,sufocamento e privatização"

A crise do Real deixou nus os equívocos da política econômica dos últimos anos, caracterizada pela pulverização da presença estatal na economia, através da privatização na área energética e de telecomunicações, áreas cujo valor estratégico é indispensável e cuja venda atropelou - como provaram as conversas das fitas do BNDES - a própria legislação criada para tal objetivo.
Agora, o alvo principal é a Petrobrás. O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, tem anunciado medidas que resultarão no enfraquecimento da Petrobrás, de modo a inviabilizá-la e provocar sua privatização. Entre essas medidas, está a devolução de áreas exploradas pela Petrobrás, para que a ANP as repasse às companhias internacionais, a permissão para uma danosa exportação do petróleo brasileiro e a previsão de liberação de importação de combustíveis e dos impostos sobre equipamentos.
É a mesma estratégia aplicada na ex-estatal de petróleo argentina - YPF: quebra do monopólio, sufocamento da empresa e, finalmente, a privatização barata. As reservas de óleo argentinas foram privatizadas por US$ 0,62/barril, numa época em que o preço internacional era de US$ 20,00/barril. Quem conduziu o processo foram as consultoras internacionais Merril Lynch e Gaffney Cline.
Agora, essas mesmas Merril Lynch e Gaffney Cline, ao lado de outras quatro firmas de consultorias, também internacionais, estão dentro da própria Petrobrás. Desde agosto, essas firmas dispõem de espaço reservado só para elas e interditado aos funcionários da próprio Petrobrás, no 12o andar do edifício sede da companhia. O que fazem? Examinam, minuciosamente - por ordem do BNDES de Lara Rezende e Mendonça de Barros - todos os dados estratégicos.
A Lei 9.478, entre outras coisas, extingue o monopólio da União (Artigo 26) e autoriza a exportação do nosso petróleo (Art. 60). Isso permitirá o esgotamento de nossas reservas em 10 anos, e não em 40 ou 50, como previsto sem a exportação. As áreas subtraídas à Petrobrás serão repassadas às multinacionais, as mesmas que se recusaram a assumir os desafios e os gastos de explorar a Bacia de Campos, quando estavam em vigor os contratos de risco. Só a Petrobrás viabilizou a Bacia de Campos, investindo 30 bilhões de dólares e desenvolvendo tecnologia de ponta para a exploração em águas profundas.
A opinião pública brasileira precisa conscientizar-se dos altos prejuízos que essa política contra a Petrobrás poderá acrescentar às desgraças já cometidas.

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