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Os Neoliberais, as Privatizações e a Crise Econômica Mundial

Data: 01/06/1999 
A ACUMULAÇÃO DE RIQUEZA E A INFLAÇÃO
A concentração de renda, cada vez maior, nas mãos de poucos, tem sido a causa fundamental de uma inflação quase perene, condenando a maioria das pessoas a viver em condições sociais precárias.
Há momentos em que a situação de miséria se torna insuportável para a maioria dos trabalhadores.
Eles ficam temerosos de perder o emprego e sem esperança de um futuro melhor porque o seu dia-a-dia é ver o desemprego crescendo, os salários congelados e o poder de compra corroído pela inflação.
Além disso, há os hospitais sem condições sanitárias de atendimento ao público, as escolas e faculdades públicas destruídas e a segurança dos cidadãos relegadas, aos seqüestros, às balas perdidas, aos assaltos, enfim, o próprio caos.
Não sentimos nos governantes preocupação com a adoção de medidas comprometidas com uma visão de longo prazo e muito menos uma vontade de se debelar a inflação de forma definitiva porque isso significaria combater de forma eficaz a acumulação de riqueza, o que não interessa ao poder dominante.
E, por esse motivo, a história da economia mundial contém vários períodos de depressão e de picos de inflação, mostrando a completa falta de comprometimento dos governantes em combater a principal causa da inflação, que tanto mau já causou à humanidade.
Todas as guerras foram motivadas por acumulação exagerada de riqueza nas mãos de uns poucos privilegiados, e a riqueza nunca esteve tão exageradamente acumulada como nos dias de hoje.
Segundo o professor José Fiori, em sua excelente palestra "O Consenso de Washington" (disponibilizada na Home Page da AEPET - /consenso2.html), tratando desse tema, 43% da riqueza do mundo pertence a 380 pessoas, o que nos leva a temer estarmos caminhando para uma terceira guerra mundial, principalmente se os governantes não buscarem formas mais equânimes de distribuição da riqueza, reduzindo o grau de pobreza dos países.
No Brasil, a inflação tem sido, também, combatida com uma visão imediatista. Não há preocupação em se adotar uma solução definitiva e de longo prazo.
Assim, nos últimos 15 anos, experimentamos vários planos econômicos mirabolantes, entre os quais, o Plano Cruzado, o Plano Bresser, o Plano Verão, o Plano Collor e o Plano Real, todos emergenciais e de curta duração.
O Plano Real está sendo o de maior duração (4 anos), porém, poderá se constituir no mais perverso dos planos perversos, principalmente porque a estabilização do real está sendo às custas de juros exorbitantemente altos, que aumentaram as dívidas interna e externa de 160 bilhões de reais para 600 bilhões de reais e isso pode tornar o país, diante de uma crise mundial, totalmente vulnerável aos ataques dos capitais especulativos.
E a crise já está batendo à nossa porta, uma vez que o Governo, para evitar a fuga do capital especulativo, aumentou os juros de 29% ao ano para 49,75% ao ano, o que significará R$ 150 bilhões de juros das dívidas em um ano (49,75% de R$ 300 bilhões), sem contar os juros da dívida externa, que deverão representar uma outra quantia espetacular.
E isso aumentará as dívidas de R$ 600 bilhões para R$ 800 bilhões a R$ 900 bilhões, em um ano, e não há como solucionar esse gravíssimo problema, a não ser pagando as dívidas com trabalho escravo das gerações futuras ou mediante uma rigorosa auditoria dos motivos que geraram essas dívidas impagáveis e que não construíram nada, sequer uma escola.
É nesse quadro de concentração da riqueza nas mãos de uma minoria privilegiada, de destruição da classe média e condenando a maioria da população à miséria quase absoluta que assistimos a mídia preocupada em convencer as sociedades das nações emergentes da importância de se excluir o Estado nação das atividades econômicas, que devem ser exclusivas de iniciativas privadas e, por isso, os governos dessas nações devem adotar programas de privatização radical, dedicando-se, supostamente, a investimentos em saúde, educação e segurança.
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