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Afinal, de quem é o petróleo?

Data: 01/06/1999 
Nomeado pelo sogro, Fernando Henrique Cardoso, para o cargo de diretor - geral da Agência Nacional do Petróleo - ANP, o engenheiro David Zylbersztajn declarou, na solenidade de posse, dirigindo-se a um auditório repleto de representantes de empresas multinacionais que "o petróleo agora é vosso".

A frase, que provocou indignação em amplos segmentos da sociedade brasileira, foi interpretada por alguns como um prenúncio da orientação entreguista que o genro do presidente da República pretende imprimir à autarquia, recentemente criada para conduzir a política petrolífera nacional.

Para outros, a manifestação do Sr. Zylbersztajn explica-se pelo seu desconhecimento do setor petróleo, por preconceito e até mesmo por certa má vontade em relação à PETROBRAS.

A sociedade brasileira sabe e o Dr. David Zylbersztajn também deveria saber, que o nosso petróleo não pode ser entregue às multinacionais. E as razões e motivos são vários:

Primeiro, porque o petróleo é bem de uso coletivo, não renovável e estratégico. Bem mineral que, como dizia Arthur Bernardes, "não dá duas safras". Depois, porque elas, as multinacionais, nada fizeram para merecê-lo. Ao contrário, durante anos apregoaram a inexistência de petróleo no Brasil. Por mais de 80 anos sua exploração esteve totalmente liberada para os estrangeiros em nosso país, mas só se interessaram pelo segmento da distribuição. Segmento este, como sabemos, lucrativo e que exige pouco investimento sem nenhum risco.

Descoberto o petróleo pelos brasileiros em janeiro de 1938, na Bahia, não era mais possível negar a sua existência. O discurso mudou. Era preciso entregá-lo aos "trustes", designação das multinacionais na época, pois nós brasileiros éramos, segundo eles, incapazes de mobilizar recursos humanos, financeiros e tecnológicos para explorá-lo.

Não aceitamos os argumentos falaciosos. A população se mobilizou, na campanha do "petróleo é nosso" e a PETROBRAS nasceu como imposição da vontade nacional.

Procuraram sabotá-la de todas as formas e ela, cada vez mais forte, chegou ao seleto e restrito grupo das grandes empresas de petróleo, incluída entre as quinze maiores do mundo, posição conquistada em apenas quatro décadas, numa indústria que, no exterior, já completou um século e meio de atividades.

Entre 1975 e 1988, portanto durante 13 anos, os estrangeiros tiveram outra oportunidade. Os 243 contratos de risco, cobrindo uma área de mais de l,5 milhão de quilômetros quadrados de bacias sedimentares, celebrados com as 35 maiores empresas petrolíferas do mundo, foram um fiasco. Um fracasso total.

O Sr. Zylbersztajn não deveria desconhecer estes fatos. Por acaso ele não sabe que nos seus 45 anos de atividades a PETROBRAS jamais permitiu que o país fosse desabastecido? Isto apesar das inúmeras crises e conflitos, internos e externos, como o suicídio, a deposição e a renúncia de presidentes e as guerras de Suez, dos Seis dias, do Yom Kippur, do Irã - Iraque, do Golfo, a revolução iraniana, para citar alguns.

E o que dizer da entrega, pela PETROBRAS, à sociedade brasileira, dos derivados de petróleo sempre a preços inferiores aos internacionais? E os 220 bilhões de dólares em divisas economizados desde a implantação da Companhia em 1953? E a liderança, reconhecida internacionalmente, na produção em águas profundas?

Diante destes fatos e argumentos, Dr.David, desculpe-nos mas, queira ou não queira o senhor,

O PETRÓLEO É NOSSO!

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