Imprimir esta pg
0
0
0
s2sdefault

Primeiro vem uma guerra civil

15 Novembro Escrito por  Pepe Escobar Lido 716 vezes

face-homem A enorme operação psicológica está em andamento

Todos os familiarizados com o Projecto Integridade de Transição (Transition Integrity Project , TIP) sabiam como isso terminaria imperativamente. Optei por enquadrá-la como um exercício de jogo de reflexão no meu artigo Banana Follies . Este é um exercício ao vivo. Mas ninguém sabe exatamente como vai terminar.

A inteligência dos EUA está bem consciente de casos bem documentados de fraude eleitoral. Entre eles: software da NSA que se infiltra em qualquer rede, conforme detalhado anteriormente por Edward Snowden, e capaz de alterar a contagem de votos; o supercomputador Hammer e seu aplicativo Scorecard, que hackeia computadores nos pontos de transferência dos sistemas de computação das eleições estaduais e fora dos cofres de dados eleitorais de terceiros; o sistema de software Dominion , conhecido desde 2000 por ter sérios problemas de segurança, mas ainda usado em 30 estados, incluindo todos os estados decisivos (swing states); aqueles agora famosos saltos verticais para Biden tanto no Michigan como em Wisconsin às 4h da manhã do dia 4 de novembro (a Agência France Presse não convincentemente tentou desmascarar Wisconsin e nem mesmo fez a tentativa com Michigan); vários exemplos de Homens Mortos que Votam.

O ator chave é o Deep State, o qual decide o que acontece a seguir. Eles pesaram os prós e os contras de colocar como candidato um homem senil, demência em estágio 2, belicista neoconservador e possível extorsionista (juntamente com o filho) como "líder do mundo livre", fazendo campanha a partir de um porão, incapaz de encher um parque de estacionamento nos seus comícios e secundado por alguém com tão pouco apoio nas primárias do Partido Democrata que foi a primeira a desistir.

A ótica, especialmente vista das vastas faixas do Sul Global com interferência imperial, pode ser um tanto terrível. Eleições duvidosas são uma prerrogativa da Bolívia e da Bielorússia. Mas só o Império é capaz de legitimar uma eleição duvidosa – especialmente no seu próprio quintal.

Bem-vindo à Nova Resistência

O Partido Republicano está numa posição muito confortável. Eles ocupam o Senado e podem acabar por conseguir até 12 cadeiras na Câmara. Eles também sabem que qualquer tentativa de Biden-Harris de legislar através de Ordens Executivas terá... consequências.

Do ângulo da Fox News / New York Post a situação é particularmente atraente. Por que de repente eles estão a apoiar Biden? Muito além das familiares querelas internas, dignas da saga da Succession, Rupert Murdoch deixou bem claro, por meio do infernal laptop da fraude, que tem todos os tipos de kompromat sobre a família Biden. Assim, eles farão o que ele quiser. Murdoch não precisa mais de Trump.

Nem, em teoria, o Partido Republicano. Gente próxima da CIA garante que sérias travessuras de bastidores estão a acontecer entre chefões do Partido Republicano e a gang Biden-Harris. Compromissos que contornam Trump – o qual é odiado pela maioria do Partido Republicano. O homem mais importante em Washington será na verdade o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell.

Ainda assim, para esclarecer quaisquer dúvidas remanescentes, uma recontagem de votos seria absolutamente necessária em todos os seis estados contestados – WI, MI, PA, GA, NV e AZ. Através da contagem manual. Um por um. O Departamento da Justiça precisaria actuar imediatamente. Mas isso não vai acontecer. As recontagens custam muito dinheiro. Não há nenhuma evidência de que a equipe Trump – além disso, com falta de fundos e de mão-de-obra – será capaz de convencer o ativo de Daddy Bush, William Barr, a avançar.

Enquanto implacavelmente demonizava Trump por espalhar "uma torrente de desinformação" e "tentar minar a legitimidade da eleição nos EUA", os media de referência e a Big Tech declaravam um vencedor – um caso clássico de pré-programar as multidões de ovelhas.

No entanto, o que realmente importa é a letra da lei. Os legislativos estaduais decidem quais eleitores vão ao Colégio Eleitoral para nomear o Presidente.

Aqui está – Artigo II, Secção 1, Cláusula 2: Cada estado deverá nomear eleitores "de tal maneira como o Legislativo puder determinar".

Então isto nada tem a ver com governadores, nem tão pouco os media. Cabe às legislaturas estaduais do Partido Republicano agir em conformidade. O drama pode perdurar semanas. O primeiro passo do procedimento do Colégio Eleitoral acontece no dia 14 de Dezembro. A determinação final só acontecerá no início de Janeiro.

Enquanto isso, a conversa sobre uma Nova Resistência está a espalhar-se como um incêndio na pradaria.

O trumpismo, com mais de 71 milhões de votos, está firmemente estabelecido como um movimento de massas. Ninguém no Partido Republicano comanda esta espécie de apelo popular. Ao deixar de lado o trumpismo, o Partido Republicano pode estar a cometer seppuku (suicídio).

Então, o que farão os deploráveis?

O sempre indispensável Alastair Crooke acerta em cheio com um poderoso ensaio: Trump é o presidente da América Vermelha. E dependendo de como se desenvolve a seguir o roteiro da tragicomédia eleitoral, os Deploráveis estão prestes a tornarem-se Os Ingovernáveis.

Crooke faz referência a um paralelo crucial evocado pelo historiador Mike Vlahos, o qual mostra como a atual saga americana espelha a Roma Antiga no último século da República, colocando a elite romana contra os Populares – que hoje são representados pela América (Trumpista) Vermelha:

"Este era um novo mundo, no qual os grandes proprietários de terras, com seus latifúndios [a fonte de riqueza era a terra trabalhada por escravos], que haviam sido os 'Grandes Homens' liderando as várias facções nas guerras civis, tornaram-se os arcontes (magistrados) senatoriais que dominaram a vida romana durante cinco séculos – enquanto o Povo, os Populares, foram transformados num elemento passivo – não inerme – mas geralmente dependente e não participante do governo romano: Isto minou a vida criativa de Roma e, finalmente, levou ao seu desmoronamento".

Por mais que a máquina Democrata o quisesse, Trump ainda não é o Imperador César Augusto, a quem os gregos chamavam Autokrator (autocrata), mas era um monarca de facto. O Augusto americano, Tibério e sobretudo Calígula ainda estão mais distantes. Ele definitivamente será um imperialista benigno e humanitário.

Nesse meio tempo, o que fará o Grande Capital imperial?

O Ocidente, e especialmente a Roma americana, está à beira de um precipício duplo: a pior depressão económica de todos os tempos, juntamente com explosões iminentes de fúria social, em grande número e incontroláveis.

De modo que o Estado Profundo está a considerar que com Biden – ou, mais cedo ou mais tarde, a Shakti Suprema e Comandante-em-Chefe Maa Durga Kamala – o caminho fica mais suave rumo ao Grande Reinício de Davos. Afinal de contas, para reiniciar as peças de xadrez, primeiro o tabuleiro deve ser deitado abaixo. Isto será um passo além do Dark Winter ?– que não acidentalmente foi evocado pela leitura do teleprompter do próprio Biden no debate presidencial final. O roteiro fica muito mais próximo do Lock Step de 2010 da Fundação Rockefelller.

Entretanto, o Plano B é mantido em modo pronto, estável, em marcha: os contornos de um tumulto global, centrado na esfera de influência "maligna" da Rússia a fim de satisfazer uma OTAN "ressuscitada" e o complexo militar-industrial, o qual agora seleccionou os media para nomear o Presidente eleito pois ele não é senão uma figura de papelão flexível.

[*] Pepe Escobar - Jornalista. Alguns dos seus livros estão em Books Depository .

O original encontra-se no Asia Times e em thesaker.is/first-comes-a-rolling-civil-war/ 

Fonte: Resistir.Info

Última modificação em Domingo, 15 Novembro 2020 02:38
Avalie este item
(3 votes)
0
0
0
s2sdefault
Veja algumas métricas do portal.
Subscribe to this RSS feed