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Descaso da diretoria da Petrobrás com a segurança nas refinarias supera período FHC

12 Novembro Lido 1804 vezes

Sucateamento para privatização coloca vidas em risco

"É muita irresponsabilidade de um burocrata de mercado financeiro colocando em risco o patrimônio nacional, a vida dos funcionários e da população vizinha." O comentário é do engenheiro Raul Bergmann, conselheiro da AEPET, sobre as conseqüências da terceirização na segurança da Petrobrás, relatada em matéria do Sindipetro PR/SC. 

De acordo com a notícia, bombeiros civis contratados, sem treinamento adequado, serão responsáveis por comandar equipes de combate às emergências em refinarias de petróleo precarizadas. "É evidente o descaso da atual Diretoria da Petrobrás com a segurança em suas Refinarias. Só na REPAR são processado 33 milhões de litros de combustível por dia, boa parte em temperaturas acima de 300 graus centígrados. Um acidente com essas condições, além do prejuízo econômico e em vidas, terá em impacto intolerável para a comunidade", destaca Bergmann.

Segundo o Sindipetro, a segurança industrial na Petrobrás "virou coisa supérflua na cabeça dos gestores", desde quando a Companhia resolver terceirizar o setor para reduzir a folha de pagamento. "Substituem, sem nenhum pudor, empregados com muitos anos de experiência por pessoas que passam apenas por um treinamento relâmpago", diz o texto.

Desde 2017, quando foi implantada unilateralmente a metodologia de O&M (Organização e Método) na refinaria, o número de empregados próprios foi diminuído em 40%. Naquela época, um levantamento feito pelo Sindipetro junto aos empregados da Repar já apontava efetivo insuficiente.

Em 2000, um acidente ampliado na Repar causou o vazamento de 4 milhões de litros de petróleo nos rios Barigui e Iguaçu. Naquela época a segurança também era negligenciada e aconteceu a tragédia. "Custou muito caro para os cofres e também para a imagem da empresa o atendimento e reparo daquele acidente. As ações judiciais ainda estão em andamento somam mais de R$ 1 bilhão em multas e ressarcimentos. Parece que os gestores não aprenderam nada com aquele triste episódio e também não sabem fazer as contas de quanto custará um acidente de grande proporção. O risco das pessoas é imenso", denuncia o Sindicato.

Para Bergmann, a capacitação para enfrentar acidentes dessas proporções com combustíveis líquidos e em áreas de alta concentração, "é absolutamente especifica e não encontrada em outros locais do País, sendo uma irresponsabilidade acreditar que uma mudança permanente dessa natureza para bombeiros civis não resultará em catástrofe".

O engenheiro ressalta que segurança industrial numa refinaria é um trabalho técnico de prevenção e combate a eventos em inflamáveis líquidos, que treina todos os funcionários da área industrial dando-lhes capacitação teórica e prática para a prevenção e combate a incêndio, orientando-os quanto ao permanente e mutável risco existente e ação preventiva necessária.

"Os técnicos de segurança necessitam de grande conhecimento das instalações industriais e suas condições operacionais, para efetuar inspeções de prevenção de acidentes, e para liberá-las para execução de serviços de manutenção a quente e a frio, que sempre implicam em grande risco para os operadores, instalações e vizinhança. Esse técnicos não são bombeiros civis de plantão a espera de uma emergência, exigindo grande integração com as equipes operacionais que, por estarem permanentemente presentes na área, são as responsáveis pelo primeiro e imediato combate a qualquer evento, antes que se transforme numa catástrofe".

O conselheiro da AEPET ressalta que, graças à eficiência da Petrobrás, o brasileiro não imagina que isso possa ocorrer, pois só vê o que acontece em outros países. "Só nos oito anos do governo FHC tivemos descuramento com segurança, menor que este, mas que resultaram em mais acidentes com morte e vazamentos de inflamáveis de que nos 40 anos anteriores da Petrobras", pondera Bergmann.

Última modificação em Quarta, 11 Novembro 2020 23:25
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