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Apesar do câmbio e do brent favoráveis, Petrobrás registra prejuízo no 3º trimestre

29 Outubro Escrito por  Cláudio da Costa Oliveira Lido 981 vezes

Claudio  Um país cujo povo, por falta de informação, não defende seus próprios interesses é fadado à escravidão

 

Mesmo com o brent a US$ 43 o barril e o câmbio a R$ 5,38, Petrobrás registrou prejuízo de R$ 1,55 bilhão no 3º trimestre de 2020.

A geração de caixa, historicamente uma das principais características positivas da Petrobrás, foi forte (R$ 46,10 bilhões) mas a liquidez corrente, de 1,15, se manteve bem abaixo do histórico da Companhia sempre acima de 1,50, registrando um menor conforto financeiro.

Mas o maior problema da Petrobrás hoje é o modelo de administração que objetiva apenas maximizar a remuneração dos acionistas, pouco se importando com o futuro da companhia e sua importância para o país.

Uma empresa que deveria estar se capitalizando, na verdade reduz seus investimentos ao máximo para poder dirigir o maior volume de recursos gerados para o ralo dos dividendos.

No 3º trimestre de 2020 os investimentos da Petrobrás foram de apenas R$ 1,6 bilhão, provavelmente o menor investimento trimestral dos últimos 15 anos.

E o CEO, Roberto Castello Branco, em sua carta da destaque ao caixa livre (geração – investimentos) como se isto fosse muito relevante para a empresa.

Por outro lado, a receita vem caindo sistematicamente e com ela a importância da Companhia para a economia brasileira. As diferenças são enormes.

Ainda não temos os resultados em dólares para o 3º trimestre de 2020 para uma melhor avaliação, mas se verificarmos o acumulado até o 1º semestre vamos encontrar uma receita liquida de US$ 26,6 bilhões em 2020.

Não é preciso ir muito longe, em 2016 neste mesmo período a receita liquida foi de US$ 38,30 bilhões, com o cambio a R$ 3,70 e o Brent a US$ 39,73.

Tão relevante quanto a queda na receita é a sua origem. Em 2016 menos de 10% da receita vinha de exportações, hoje as exportações representam mais de 30%. Tudo não seria tão importante se as exportações não estivessem concentradas em um único país : a China. Isto cria uma dependência desnecessária para a empresa.

O pior é que a queda de receita tende a aumentar se forem concretizadas as vendas das refinarias.

A primeira venda parece que já está concretizada, da Rlam (Bahia) para o fundo Mudabala da Arábia Saudita. E qual a importância disto ?
Bem, da Arábia Saudita é também a maior petroleira do mundo, a Saudi Aranco.

Por "coincidência" a Saudi Aranco é sócia (50/50) da Shell em três refinarias no Golfo do Mexico de onde , atualmente são exportados cerca de 200 mil barris dia de combustíveis (diesel e gasolina) para o mercado brasileiro, aproveitando a política de preços da Petrobrás. O Preço de Paridade de Importação – PPI.

A Shell por seu lado, produz hoje no Brasil mais de 400 mil barris dia de petróleo, sem pagar qualquer imposto , graças à Lei 13586/2017, originária da Medida Provisória 795/2017, conhecida como a MP do trilhão. Tudo com o apoio de nossos congressistas.

A Shell também é sócia da Raizen no Brasil, junto com a Cosan (maior esmagadora de cana de açúcar do mundo). A Raizen serve como biombo para encobrir as atividades da Shell no Brasil.
 
Diante deste cenário podemos imaginar o número de opções parao futuro da Rlam.

Agora, no final do próximo mês de novembro, a diretoria da Petrobrás vai a Nova Iorque para apresentar no novo plano de negócios cobrindo o período 2021/2025.

Como ocorreu no ano passado, o plano da empresa é primeiro apresentado na Bolsa de Nova Iorque, para depois ser apresentado aos brasileiros. É um absurdo.

Fica a pergunta: quanto custa e de que serve isto para os brasileiros ?

Senhor Presidente Jair Bolsonaro. O senhor, que sempre diz que o Brasil está acima de tudo, mande abrir um "ordem interna" no sistema SAP da Petrobrás, para apurar e informar aos brasileiros quanto custa esta brincadeira. Quanto custa tirar fotografia "batendo martelinho" na NYSE. Além de avião, hotel e restaurantes de 1ª para a turma.

Um país cujo povo, por falta de informação, não defende seus próprios interesses é fadado à escravidão.

Cláudio da Costa Oliveira - Economista da Petrobrás aposentado

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