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Qual é a verdadeira ameaça nuclear no Oriente Médio?

12 Fevereiro Escrito por  Manlio Dinucci Lido 549 vezes

face-homem Arsenal israelense é estimado em 80-400 ogivas nucleares

O anúncio divulgado pelo Irã da sua retirada do acordo nuclear 5 + 1 (JCPoA), em represália pelo assassinato do General Qassem Soleimani não mudará nada, visto que os Estados Unidos já prescindiram dele. É muito mais preocupante que Israel possua um arsenal nuclear muito concreto e seja tentado a usá-lo, no caso da retirada das tropas americanas do Médio Oriente.

«O Irã não respeita os acordos nucleares» (Il Tempo), «O Irã retira-se dos acordos nucleares: um passo em direção à bomba atômica» (Corriere della Sera), «O Irã prepara bombas atômicas: adeus ao acordo sobre o nuclear » (Libero): é assim apresentada por quase toda a comunicação midiática a decisão do Irã – após o assassinato do General Soleimani ordenado pelo Presidente Trump – de não aceitar mais os limites para o enriquecimento de urânio, estabelecidos pelo acordo assinado em 2015 com o Grupo 5 + 1, ou seja, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia, China) e a Alemanha. Portanto, não há dúvida, segundo estes meios de divulgação de “informação”, sobre qual é a ameaça nuclear no Médio Oriente. Esquecem-se que foi o Presidente Trump, em 2018, que fez com que os EUA se retirassem do acordo definido por Israel como “a rendição do Ocidente ao Eixo do Mal, liderado pelo Irão”. Silenciam o fato de que existe apenas uma única potência nuclear no Médio Oriente, Israel, que não está sujeita a nenhum controle, visto que não adere ao Tratado de Não-Proliferação, assinado pelo Irã.

O arsenal israelense, envolto numa espessa capa de segredo e de silêncio, é estimado em 80-400 ogivas nucleares, além de plutônio suficiente para construir outras centenas. Israel também produz, seguramente, trítio, o gás radioativo com o qual fabrica armas nucleares de nova geração. Entre estas, mini-bombas nucleares e bombas de neutrões que, provocando menor contaminação radioactiva, seriam as mais adequadas contra alvos não muito distantes de Israel. As ogivas nucleares israelitas estão prontas para serem lançadas em mísseis balísticos que, com o Jericó 3, atingem de 8 a 9 mil km de alcance. A Alemanha forneceu a Israel (sob a forma de um presente ou a preços promocionais) quatro submarinos Dolphin modificados para o lançamento de mísseis nucleares Popeye Turbo, com um alcance de cerca de 1.500 km. Silenciosos e capazes de permanecer imersos durante uma semana, atravessam o Mediterrâneo Oriental, o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico, prontos 24 sobre 24 horas, para o ataque nuclear.

Os Estados Unidos, que já forneceram mais de 350 caça-bombardeiros F-16 e F-15 a Israel, estão a fornecer-lhe pelo menos 75 caças F-35, também com dupla capacidade nuclear e convencional. Uma primeira entrega de F-35 israelitas entrou em operação em Dezembro de 2017. As Israel Aerospace Industries produzem componentes de asas que tornam o F-35 invisível aos radares. Graças a essa tecnologia, que também será aplicada nos F-35 italianos, Israel potencia a capacidade de ataque das suas forças nucleares.

Extrato de um email do antigo Chefe Conjunto do Estado Maior da Defesa e, mais tarde, Secretário de Defesa dos EUA, Colin Powell
Israel – que tem apontadas contra o Irã 200 armas nucleares, como especificou o antigo Secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, em 2015 [1]- está decidido a manter o monopólio da Bomba no Médio Oriente, impedindo o Irã de desenvolver um programa nuclear civil, que poderia permitir-lhe um dia fabricar armas nucleares, capacidade essa que hoje é possuída no mundo por dezenas de países. No ciclo de utilização do urânio, não há uma linha divisória clara entre o uso civil e o uso militar do material físsil. Para bloquear o programa nuclear iraniano, Israel está determinado a usar todos os meios. O assassinato de quatro cientistas nucleares iranianos entre 2010 e 2012 é, provavelmente, obra do Mossad.

As forças nucleares israelitas estão integradas no sistema eletrônico da OTAN, como parte do “Programa de Cooperação Individual” com Israel, um país que, embora não seja membro da Aliança, tem uma missão permanente no quartel general da OTAN, em Bruxelas.

Segundo o plano testado no exercício USA-Israel Juniper Cobra 2018, as forças USA e OTAN viriam da Europa (sobretudo das bases em Itália) para apoiar Israel numa guerra contra o Irã [2]. Ela poderia iniciar-se com um ataque israelita às instalações nucleares iranianas, como o que foi efetuado em 1981 contra o reator iraquiano de Osiraq. O Jerusalem Post [3] confirma que Israel possui bombas não nucleares anti-bunker, utilizáveis especialmente com os F-35, capazes de atingir a instalação nuclear subterrânea em Fordow. O Irã, no entanto, apesar de estar livre de armas nucleares, possui uma capacidade de resposta militar que a Jugoslávia, o Iraque ou a Líbia não possuíam no momento do ataque USA/NATO. Nesse caso, Israel poderia usar uma arma nuclear pondo em movimento uma reação em cadeia de consequências imprevisíveis.

Tradução - Maria Luísa de Vasconcellos

Fonte - Il Manifesto (Itália)

[1] “Israel, 200 armas nucleares apontadas para o Irão”, Manlio Dinucci, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Il Manifesto (Itália) , Rede Voltaire, 15 de Maio de 2018.

[2] “Nas garras dos USA/NATO”, Manlio Dinucci, Tradução Maria Luísa de Vasconcellos, Il Manifesto (Itália), 13 de Março de 2018, “Direito de resposta da OTAN, réplica de Manlio Dinucci e comentário da Rede Voltaire”, Rede Voltaire, 22 de Março de 2018.

[3] “Would Israel still need US bunker busters for attacking Iranian nukes?”, Yonah Jeremy Bob, Jerusalem Post, January 3, 2020.

Fonte: Oriente Mídia

Última modificação em Quarta, 12 Fevereiro 2020 18:36
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