Petróleo e Política

Não a Venda do Petróleo do Brasil

Data: 04/04/2013 
Fonte: Agência Petroleira de Notícias/Redação
Autor: Emanuel Cancella

NÃO A VENDA DO PETRÓLEO DO BRASIL


É a campanha O Petróleo é Nosso às avessas: “o petróleo é vosso”, como prognosticou, em 1998, o genro de FHC e primeiro diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, em palestra a representantes de multinacionais.

 

Por Emanuel Cancella, diretor do Sindipetro-RJ

 

No maior movimento entreguista a que esse país já assistiu, o governo brasileiro vai leiloar o equivalente a mais de duas vezes as reservas de petróleo descobertas pela Petrobrás, durante todos os seus 59 anos de existência, que é 14 BI de barris. Quem afirma isso é a maior autoridade de petróleo do país, a Agência Nacional de Petróleo – ANP. A Diretora-Geral, a engenheira Magda Maria de Regina Chambriard, afirma em documento oficial da Agência, que o 11º leilão, nos dias 14 e 15 de maio de 2013, vai oferecer aos consórcios e às multinacionais cerca 30 BI de barris de petróleo.

 

Paulo Metri, ex-funcionário da ANP e membro da campanha do petróleo, avalia que, na visão mais otimista, o Brasil vai perder no 11º leilão 25 BI de barris de petróleo, que a preço internacional de U$ 100 o barril, acumulam 2,5 trilhão de dólares, valor maior que o PIB anual brasileiro, ou seja, vamos entregar no 11º leilão o equivalente a mais que tudo que a nação produziu em um ano. Será que esse dinheiro não seria mais bem empregado erradicando a fome e a miséria do povo, como diz pretender a presidente Dilma, como também oferecendo serviços públicos de qualidade aos brasileiros, principalmente a saúde e educação. 

 

Se, na década de 40 e cinqüenta, conseguimos reunir toda a sociedade brasileira, civis e militares, comunistas e conservadores, na maior campanha cívica, em defesa do monopólio estatal do petróleo e da Petrobrás, agora a reedição da campanha é para entregar nosso ouro negro. Vamos reeditar a campanha do petróleo às avessas! A autoridade maior de petróleo no país, a ANP justifica o leilão como forma de levar o desenvolvimento às regiões mais pobres do país. Só faltou dizer que o leilão é para erradicar a pobreza!

 

Pasmem, a senadora do PCdoB do Amazonas, Vanessa Graziotim, em vídeo gravado no Senado federal, disse que o leilão já vinha sendo adiado há muito tempo e sua realização é fundamental, e parafraseando a diretora geral da ANP, disse da importância do leilão em levar o desenvolvimento às regiões mais pobres do país. Os comunistas foram fundamentais na campanha “ O Petróleo é Nosso!”. Essa infeliz declaração foi em aparte ao senador Roberto Requião do Paraná, que, em 27/3, na tribuna do senado, fez severas e duras crítica ao 11° leilão.

 

Em seu governo, Fernando Henrique Cardoso bem que tentou privatizar a Petrobrás, no limite conseguiu quebrar o monopólio, mas não conseguiu mudar o nome da companhia para Petrobráx muito menos privatizar a empresa. O primeiro Diretor-Geral da ANP, David Zilberstein, ex-genro de FHC, em sua primeira entrevista coletiva, proferiu a palavra de ordem “ O petróleo é Vosso! Vale lembrar que a ANP foi criada após a quebra do monopólio e foi também quem introduziu no país os criminosos leilões de petróleo.

 

Depois de FHC, o governo Lula afastou o fantasma da privatização da Petrobrás, retomou a indústria naval, que havia sido destruída por FHC, restabeleceu através de concurso os quadros técnicos na Petrobrás, e permitiu com pesados investimentos a descoberta do pré-sal. Foi também no governo Lula que a Petrobrás conseguiu, através da venda de suas ações, a maior capitalização do planeta. Agora, num conluio vergonhoso, o governo Dilma, a direção da Petrobrás, Congresso Nacional, governadores e prefeitos e Justiça brasileira patrocinam a entrega de nosso petróleo.

 

A revista Época desta semana noticia que a Gerência de Novos Negócios da Petrobrás está promovendo “o maior feirão da história da estatal – e talvez do país”. A pretexto de não ter dinheiro em caixa – numa crise, a nosso ver, fabricada para justificar as ações em curso – a direção da empresa resolver liquidar grande parte do seu patrimônio, sobretudo o que foi construído no exterior. Por meio do “plano de desinvestimento”, um eufemismo para a liquidação do patrimônio, o objetivo seria arrecadas 10 bilhões de dólares. Ora o que está em jogo e o que está sendo liquidado vale muito mais. Que negócios atropelados estariam sendo encobertos com essa liquidação?

 

A mídia brasileira cumpre o seu papel ridículo de subordinação ao capital internacional e, quando toca no tema, é para falar nos royalties e na importância dos leilões. Vale lembrar que a mídia sempre foi a favor das  privatizações, juntem-se a isso as verbas de publicidade do governo, as maiores do mercado. A mídia está sendo muito bem remunerada para implementar o jogo sujo.

 

Dos militares que participaram ativamente da campanha em defesa do monopólio e da Petrobrás, cremos que não temos que esperar nenhuma reação, já que a audiência publica para 11º leilão foi feito dentro de uma base naval. Eles estão sabendo de tudo! E não podemos nos esquecer dos documentos secretos divulgados pelo Wikileaks, em relação ao petróleo “...É preciso cuidado para não despertar o nacionalismo dos brasileiros...”

 

Diante desse rolo compressor e do inexplicável silêncio daqueles que, no passado, sempre se colocaram tão firmemente contra as privatizações – e com essa bandeira se elegeram – resta um apelo quase desesperado: VETA DILMA! O papa com certeza é argentino. Mas será que Deus já não é mais brasileiro?

Conteúdo Relacionado

Não há conteúdo relacionado.

Tags

Não há tags relacionadas