Petróleo e Política

AREIA BETUMINOSA

Data: 25/07/2012 
Fonte: Agência Petroleira de Notícias/Redação

AREIA BETUMINOSA
 
Dez anos atrás, novas tecnologias de exploração de petróleo liberaram vastos suprimentos dos depósitos de areia betuminosa do Canadá, elevando o país da América do Norte à elite dos donos das maiores reservas do mundo.

Agora, as companhias de petróleo estão experimentando com tecnologias que poderiam liberar ainda mais reservas de um dos tipos de petróleo mais pesados e viscosos do planeta.

As novas tecnologias poderiam também reduzir os custos de produção de petróleo no Canadá.

Um consórcio pretende fazer o petróleo fluir até a superfície usando antenas enormes para enviar ondas de rádio até o fundo dos poços — adotando uma tecnologia desenvolvida inicialmente para o governo americano monitorar abrigos subterrâneos.

Outra empresa está trabalhando em bobinas elétricas aquecedoras que seriam inseridas nos poços para derreter o petróleo, enquanto ainda outras firmas estão experimentando com solventes à base petróleo, os quais elas esperam bombear dentro dos poços para aumentar a produção.

Todas essas experiências têm o objetivo de melhorar um método padrão de extração de petróleo de areias betuminosas: a chamada drenagem gravitacional auxiliada por vapor, também conhecida pela sigla SAGD, em inglês.

Essa tecnologia — ela própria uma descoberta recente — consiste essencialmente em injetar vapor superaquecido nos poços para esquentar os depósitos de betume, que é um tipo de petróleo viscoso, tornando-o líquido o suficiente para ser bombeado para a superfície.

A SAGD quintuplicou o volume de betume possível de ser extraído no Canadá, e ajudou a fazer das reservas recuperáveis de petróleo do país as terceiras maiores do mundo, atrás das da Arábia Saudita e da Venezuela.

Mas essas reservas são apenas um décimo do 1,7 trilhão de barris de betume já descoberto no Canadá. O Conselho de Conservação dos Recursos Energéticos de Alberta estima que haja ainda mais de 400 bilhões de barris de betume aprisionadas nas formações de rochas carbonáticas da província canadense.

"Se nós postularmos que 25% disso pode ser recuperado, o Canadá pode pular para número 1" em reservas de petróleo, disse Glen Schmidt, diretor-presidente da Laricina Energy Ltd., uma empresa energética e tecnológica de capital fechado com sede em Calgary.

A Laricina é uma das várias empresas, incluindo Royal Dutch Shell PLC, Athabasca Oil Corp. e Husky Energy Inc., que estão adaptando a tecnologia SAGD para formações rochosas e experimentando novas melhorias para diminuir o uso de água e energia na exploração.

A Laricina é parte de um consórcio composto pelas grandes petrolíferas canadenses Suncor Energy Inc. e Nexen Inc. que está testando o uso de antenas no lugar da injeção de vapor. Essa antena foi desenvolvida pela Harris Corp., uma fabricante de equipamentos de telecomunicações de Melbourne, no Estado da Flórida. Depois de serem conduzidas até dentro do poço, as antenas geram calor, aquecendo o betume.

Schmidt disse que os primeiros testes mostraram que a tecnologia poderia reduzir o uso de energia em 40%. Ela também removeria os pesados custos iniciais com instalações de tratamento de água e geração de vapor. Isso poderia baixar o custo de produção da SAGD, atualmente em torno de US$ 55 a US$ 65 por barril na maioria dos projetos.

A tecnologia, que talvez seja implementada já em 2019, teve origem em 2008, quando a Harris estava trabalhando num projeto encomendado pelo governo dos Estados Unidos para aumentar a capacidade de comunicação subterrânea.

Como parte da pesquisa, os executivos da Harris procuraram especialistas em serviços de petróleo com experiência em técnicas de perfuração horizontal.

Wes Covell, vice-presidente da Harris, não quis dar mais detalhes do que ele disse ser um projeto confidencial.

Os executivos da Harris tiveram uma epifania quando os especialistas mencionaram o problema enfrentado pela indústria petrolífera do Canadá para transmitir calor eficientemente até os reservatórios de betume no fundo de poços horizontais.

A Harris "se deu conta de que nós podemos pegar nossas antenas e, em vez de usá-las para comunicação, usá-las como uma fonte de energia eletromagnética que gera calor", disse Covell.

A Athabasca Oil, outra grande produtora de petróleo canadense, está testando uma tecnologia semelhante de aquecimento por eletricidade para extrair betume de rochas carbonáticas. A companhia insere nos poços bobinas elétricas feitas do mesmo material que bocais de fogões. Se os testes forem bem-sucedidos, a Athabasca planeja começar um projeto comercial para sua tecnologia até 2018.

A Laricina e várias outras empresas também estão testando adicionar solventes leves de hidrocarbonetos ao vapor injetado em poços de SAGD para aumentar a produção. Os solventes diluem o betume, que então flui com mais facilidade.

A Cenovus Energy Inc. está trabalhando num projeto que poderia se tornar comercial em 2017.

Jason Abbate, chefe de engenharia de produção de um dos projetos da Cenovus, disse que a tecnologia do solvente poderia aumentar a produção em até 25% e diminuir o volume usado de vapor e gás natural em até 30%.

Fonte: EDWARD WELSH, de Alberta, Canadá/The Wall Street Journal - 25/7/12.

 
 

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