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Bush pode levar EUA a uma ditadura

Data: 10/02/2005 

Co-produtor de um filme sobre a Escola das Américas, ativista dos direitos humanos e cidadão dos EUA, Andrés Conteris analisa, em entrevista à Agência Carta Maior, a situação em seu país, os planos do governo Bush e suas conexões com a história da América Latina.

Por Marco Aurélio Weissheimer - Agência Carta Maior (09/02/2005)
Porto Alegre – Andrés Thomas Conteris, 43 anos, nasceu nos Estados Unidos mas tem profundas ligações com a América Latina. O pai é norte-americano e a mãe, uruguaia. Viveu cinco anos na Bolívia e outros cinco em Honduras, onde trabalhou como ativista da organização não-governamental “Noviolencia Internacional”, sediada nos EUA. Atualmente, mora em Washington, mas passa a maior parte do tempo entre aeroportos do continente, trabalhando em defesa da construção de uma rede de resistência ao militarismo imperial que tomou conta do governo de seu país, especialmente a partir da administração Bush. Co-produtor de um documentário sobre a Escola das Américas, instituição do governo norte-americano que se tornou conhecida por treinar militares, torturadores e futuros ditadores latino-americanos, Conteris está alarmado com o que ocorre em seu país.
“Os EUA, com Bush, caminham para se tornar uma ditadura”, diz ele, salientando que não se trata, absolutamente, de um exagero retórico. Conteris esteve em Porto Alegre, participando da quinta edição do Fórum Social Mundial, como já fizera em anos anteriores. Em entrevista à Agência Carta Maior ele fala sobre o difícil trabalho que milhares de ativistas e dezenas de organizações dos EUA vêm realizando para denunciar as políticas imperiais e belicistas do governo Bush. Seu relato impressiona pela riqueza de suas fontes de informação e pelo pessimismo quanto ao futuro imediato do seu país. “Estamos caminhando para uma situação muito mais difícil que a atual”, prevê. Diretor do Programa para as Américas da “Noviolencia Internacional”, Conteris vê com esperança as mudanças políticas na América Latina, o que, segundo ele, pode vir a constituir uma força política capaz de influenciar o rumo da política em seu próprio país.
Agência Carta Maior: Como você começou a se envolver nesta luta contra a violência internacional e, mais particularmente, contra o militarismo que tomou conta dos EUA? Andrés Conteris: Eu estudei e me graduei em Estudos de Paz e Justiça Global, no Earlham College, em Richmond, Indiana. Por uma incrível coincidência, o chefe de polícia de Richmond era Daniel Mitrioni, um nome conhecido na história recente da América Latina. Após ser chefe de polícia em Richmond, Mitrioni foi treinado em Washington pelo FBI e veio para o Brasil, no começo dos anos 1960, em uma missão que ele próprio declarou cumprida em 1964, ano do golpe militar que derrubou o governo João Goulart. Ele era um especialista em técnicas de interrogação e tortura. Após cumprir sua missão no Brasil, ele vai para o Uruguai, para onde leva as últimas técnicas de interrogatório e tortura. Mitrioni acaba sendo capturado pelos tupamaros que exigem a libertação de todos os presos políticos para soltá-lo. O governo uruguaio não atende a essa exigência e ele é executado. A morte de Mitrioni é tema do início do filme “Estado de Sítio”, de Costa-Gavras.
CM: E qual é a tua relação com essa história?
AC: Pois bem, eu cheguei a Earlham College e descubro essa conexão incrível. Meu tio, que se chama Hiber Conteris, era militante dos tupamaros. Minha tia, Susana Iglesias, também militou com os tupamaros. Ela passou cerca de dois anos e meio presa, foi torturada brutalmente. Meu tio ficou mais de oito anos presos no Uruguai. Eu tinha cerca de 15 anos nesta época. A partir daí, comecei a estudar o que estava acontecendo no Uruguai e o papel dos EUA. Foi quando descobri que o governo dos EUA estava apoiando a ditadura e todos os seus crimes. Quando entrei em Earlham, descobri essa conexão com Daniel Mitrioni. E então, no início dos anos 1980, armei uma campanha internacional de pressão em defesa dos direitos humanos e da libe

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