Petróleo e Política

QUEM SÃO AS NOVAS SETE IRMÃS DO PETRÓLEO?

Data: 17/04/2008 

Em recente participação no Fórum Internacional sobre Geopolítica do Petróleo realizado na Cidade do México, entre os dias 10 e 14 de março, como expositor e debatedor, representando a Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET) constatei profundas mudanças na geopolítica do petróleo no cenário mundial. O fórum, que teve como objetivo principal debater o destino da estatal Petróleo Mexicano, Pemex, no cenário mundial, diante da ameaça de privatização, apresentou significativas modificações que passamos a descrevê-las.

 Há 40 anos, a economia de petróleo mundial era dominada pelas empresas conhecidas como as sete irmãs - Shell, Texaco, Exxon, Standard Oil, BP, Chevron, Gulf Oil - que detinham 74% da produção mundial e possuíam 48% das reservas descobertas.

 Hoje, o cenário não é o mais mesmo. Em conseqüência das fusões, recurso utilizado para não quebrarem, as empresas petrolíferas não são mais conhecidas como as sete irmãs, pois se fundiram em quatro, passaram a dominar apenas 26% da produção mundial e não possuem mais do que 4% das reservas mundiais. Segundo alguns especialistas em economia de petróleo, em 2020, as quatro serão apenas duas e não terão mais do que 2% das reservas mundiais.

Atualmente, as verdadeiras sete irmãs classificadas em ordem de importância são: a saudita Aranco, a russa Gazprom, a chinesa CNPC, a iraniana NIOC, a venezuelana PDVSA, a brasileira Petrobrás e a malasiana Petronas, todas estatais com controle de mais de 90% das reservas mundiais de petróleo. No entanto, se confirmadas as reservas nos campos de Tupi e Júpiter, a Petrobrás poderá ser a quarta.

O fórum mostrou também que as estatais contribuem com os royalties, ação que não acontece com as privadas. No Brasil, a Petrobrás não só paga royalties aos municípios produtores, como também àqueles por onde passam as redes de duto de petróleo e gás. Como exemplo, podemos citar nossa cidade que recebe de royalties da Petrobrás em torno de R$ 7 milhões por ano. Entretanto, existe uma ameaça (projeto de lei) que está tramitando no Congresso, caso seja aprovado, retira da Petrobrás a propriedade da rede de dutos, e a empresa privada que vier a utilizá-la poderá ficar isenta desse recolhimento. Finalizando, é importante passar para a sociedade que na economia de petróleo, no mundo atual e no futuro, o seu controle continuará sendo praticado pelo Estado e não pelas empresas privadas.

Murilo Marcato (conselheiro e delegado da AEPET) Extraído do jornal `Tribuna de Minas` de 13.04.08

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