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Petrobrás: reforçar o caixa e preservar os ativos

Data: 09/05/2017 
Autor: Ricardo Maranhão

Por Ricardo Maranhão - A direção da PETROBRÁS não trata, com prioridade, firmeza e independência, duas questões fundamentais para reforçar o caixa da Companhia.

 

As dívidas da ELETROBRÁS e de suas subsidiárias, com o SISTEMA PETROBRÁS, ultrapassariam R$ 12 bilhões (doze bilhões de reais) e vêm se arrastando, sem solução, há anos.

 

Também o acerto a ser feito, no Contrato de Cessão Onerosa, celebrado, com a União, em 03.09.2010, para exploração e produção de seis campos / áreas no Pré-Sal (o instrumento prevê este acerto em sua CLÁUSULA OITAVA), não merece a atenção devida dos dirigentes da Empresa. A PETROBRÁS pagou à União, US$ 8,51 (oito dólares e cinquenta e um cents) por barril de óleo equivalente. Na época, o petróleo estava a US$ 75/barril. Com a redução dos preços, hoje em torno de US$50/barril, a PETROBRÁS tem a receber expressivo valor da União.

 

Se considerado o preço divulgado na pretendida operação de CARCARÁ, com a STATOIL, da ordem de US$ 2,0/barril, em um cálculo simplificado, a PETROBRÁS teria um crédito de alguns bilhões de dólares. O recebimento destes valores, seria suficiente para reforçar a situação financeira da Companhia, evitando a venda, desnecessária e danosa, de ativos estratégicos. 

 

Lamentavelmente, sendo verdadeiras as declarações à imprensa, (Jornal Valor Econômico) dos diretores IVAN MONTEIRO e SOLANGE GUEDES, a Empresa parece estar displicente ou inerte nas providências relativas ao assunto:

 

SOLANGE GUEDES: “NÃO HÁ NEGOCIAÇÃO EM ANDAMENTO. HÁ CONVERSAS SOBRE PARÂMETROS QUE VÃO BALIZAR ESTA “VALUATION”. Disse Solange em Teleconferência com Analistas. “NÃO TEMOS DOCUMENTOS EM MÃOS PARA COMEÇAR A NEGOCIAÇÃO”.

 

IVAN MONTEIRO: DISSE QUE O “FIM DA NEGOCIAÇÃO SOBRE A CESSÃO ONEROSA NÃO TEM DATA PARA ACONTECER”. 

 

Também o MME, a ANP e outros ministérios envolvidos no contrato da CESSÃO ONEROSA não dão prioridade ao assunto. Imperdoável o descuido, em se tratando da maior empresa do país. No Brasil, para algumas autoridades, a coisa pública que deveria ser objeto de zelo e atenção, por todos, parece ser órfã e patrimônio de ninguém!! 

 

Ao que parece, toda a administração da Companhia só dá prioridade à venda de ativos, esta sim, acelerada, açodada, precipitada e prejudicial à PETROBRÁS e ao país.

 

*Ricardo Maranhão, engenheiro, é Conselheiro da AEPET – Associação dos Engenheiros da PETROBRÁS e do Clube de Engenharia.

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