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Propinas da Shell teriam beneficiado ex-presidente da Nigéria

Data: 18/04/2017 
Fonte: GGN Autor: GGN
Após entrar para a mira de investigadores com acusações de pagamentos de propinas na Nigéria, a Shell volta a ser investigada por esquema envolvendo bilhões para a obtenção de um campo de petróleo no país, em troca de repasses que teriam favorecido políticos e, inclusive, o ex-presidente nigeriano Goodluck Jonathan. Os documentos foram obtidos pela BBC.
 
Ainda em 2010, a Shell já havia sido multada em 30 milhões de dólares por pagamentos a uma companhia que depois se transformaram em subornos a funcionários nigerianos, em esquema de lavagem de dinheiro. Aquela época, a empresa mantinha o discurso de se declarar inocente. 
 
A partir de então, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ficou sob a mira da empresa, em cooperação com a polícia anti-corrupção da Nigéria, que chegou a interrogar o então diretor-geral da Shell no país, Mutiu Sunmonu.
 
A investigação tratava-se de uma suspeita de suborno, envolvendo 180 milhões de dólares junto a Companhia Nigeriana de Gás Natural Liquefeito e a empresa Halliburton, que antes era associada à KBR. Esta última chegou a admitir o pagamento do montante, em 2009, a funcionários nigerianos.
 
Agora, um novo caso é levado à tona. Uma investigação dá conta que altos executivos da Shell tinham conhecimento de um pagamento feito por meio de lavagem de dinheiro ao governo nigeriano por interesses em um grande campo de petróleo, o OPL 245.
 
A nova negociação teria ocorrido em meio ao processo em tramitação ocorrido há mais de sete anos. A empresa, ativa no país por cerca de 60 anos, estava interessada na obtenção de contratos do campo petrolífero, cujas estimativas de nove bilhões de barris de petróleo gerariam cerca de meio trilhão de dólares à empresa.
 
Entretanto, o campo estava sob a propriedade do empresário Dan Etete, ex-ministro do petróleo da Nigéria, que posteriormente foi condenado por lavagem de dinheiro em outro caso. Em 2011, a Shell conseguiu adquirir a OPL 245, juntamente com a companhia italiana de petróleo ENI, em uma transação de 1,3 bilhão de dólares ao governo.
 
Segundo reportagem da BBC, a quantia é mais do que todo o orçamento de saúde no país, mas que o montante obtido com a negociação não foi usado em serviços públicos. Deste total, 1 bilhão de dólares foi repassado a uma empresa de Dan Etete, chamada Malabu.
 
O jornal teve acesso a emails de representantes da Shell negociando com o empresário, ainda um ano antes do acordo ser fechado. Uma das mensagens, de março de 2010, um ex-funcionário da Shell afirmava que Etete seria beneficiado no acordo. O então chefe executivo da Shell, Peter Voser, foi copiado no e-mail, tendo conhecimento das negociações.
 
Também há a suspeita de que parte dos recursos foi repassada ao ex-presidente Goodluck Jonathan. Um outro e-mail mostra que o mesmo funcionário dizia que a negociação era "claramente uma tentativa de repassar quantias significativas para GLJ (Goodluck Jonathan) como requisito da transação".
 
Investigadores italianos acreditam, ainda, que pelo menos 466 milhões de dólares foram lavados através de uma rede de casas de câmbio nigerianas, para facilitar os pagamentos ao então presidente Jonathan e outros políticos, que negam as acusações

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