Rio de Janeiro,
Notícias

Por unanimidade, o Conselho Fiscal rejeita as contas da Petros de 2016

Data: 11/04/2017 
Fonte: Blog dos Conselheiros Eleitos da Petros Autor: Ronaldo Tedesco

Um déficit técnico na Petros da ordem de R$ 27 bilhões e a proximidade de um plano de equacionamento estão entre os principais problemas que a Fundação apresenta aos seus participantes e assistidos. E, pela 14ª vez consecutiva, o Conselho Fiscal da Fundação recomenda ao Conselho Deliberativo que as Demonstrações Contábeis da Petros do Exercício 2016 sejam reprovadas.

 

Segundo o Presidente do Conselho Fiscal da Petros, Ronaldo Tedesco, não houve modificações em relação ao apresentado no ano anterior: “A Petros, de forma equivocada, convive com duas situações há anos. O Conselho Fiscal indica a rejeição das contas da Fundação há 14 anos, sendo nos últimos quatro anos consecutivos, por unanimidade. A Patrocinadora Petrobrás, no Conselho Deliberativo da Fundação, utiliza o voto de qualidade ou a conivência do representante da FUP para aprovar suas contas”. 

 

“A outra situação é que a Auditoria Independente, hoje realizada pela empresa PwC, mantém em seu parecer diversas ressalvas e ênfases em relação às Demonstrações da Petros de forma recorrente. A Petros, até pouco tempo atrás, tinha ficado inerte aos apontamentos feitos tanto pela Auditoria quanto pelo Conselho Fiscal. E as medidas que foram tomadas pela Fundação até o momento não conseguiram reverter este quadro”, continua Tedesco.

 

Fernando Siqueira, conselheiro fiscal eleito complementa: “A Patrocinadora Petrobras controla totalmente a gestão da Fundação através do Conselho Deliberativo, onde tem três de seis conselheiros e ainda conta com a conivência do conselheiro eleito pela FUP. E nomeia toda a Diretoria Executiva, por que não quer cumprir o acordo que assinou pela eleição pelos assistidos e participantes de dois diretores. Ela precisa assumir que os erros na gestão são de sua responsabilidade e mudar de fato a governança da Petros. Para isso, não basta celeridade ou transparência. Precisamos da aprovação da cobrança das dívidas que existem e hoje são ignoradas pela Petros e pela Petrobrás. Sem isso, as mudanças feitas serão apenas boas intenções”.

 

Paulo Brandão, conselheiro fiscal suplente complementa: “Como a Petrobrás quer realizar o equacionamento sem que as dívidas que mantém há anos com o Plano Petros continuam sem serem cobradas? Como podemos considerar corretos os resultados apresentados se os dados e as premissas utilizados não são confiáveis, e muito menos validados por um auditor externo? Qual a perspectiva de que essa situação se resolva se a Petros ignora nossos pareceres há anos e deixa de cobrar dívidas a Petrobrás. E ainda quer que a gente pague esse prejuízo?”

 

Marcos André, também conselheiro fiscal suplente vai além: “Os números apresentados pela Petros precisam representar a realidade do Plano. As únicas dívidas que a Petros já contratou com a Petrobrás estão sendo questionadas há anos: Pré-70, Pensionistas e FAT/FC. Por que a Petros não providenciou até hoje a auditoria externa para a aferição desses valores? O que presenciamos não é um acompanhamento técnico de valores baseado em metodologia consagrada, mas sim o que parece mais com uma conta de chegada. Participantes e assistidos do Plano Petros merecem mais respeito com a gestão do seu patrimônio”.

 

Tedesco continua: “Há uma utilização indevida do patrimônio dos planos Petros do Sistema Petrobrás e Petros-2, de forma recorrente apresentada nos pareceres do Conselho Fiscal e que já foi considerado há mais de 5 anos como inapropriada pela Previc, órgão de fiscalização. Não há registro disso na contabilidade da Fundação, mesmo a Petros concordando que o procedimento não obedece à legislação. A manutenção do que está sendo feito com os dois principais planos compromete a perenidade desses planos”.

 

Entre os apontamentos do Conselho Fiscal estão a necessidade de que a Petros deixe de se expor com investimentos de risco de mercado, risco de investimentos em conjunto com as patrocinadoras e ainda risco de investimentos com contrapartes duvidosas. “Não podemos expor os planos administrados pela Petros a mais operações e investimentos que envolvam Patrocinadoras ou Instituidores ou o Governo Federal. Precisamos de segurança e liquidez”, argumenta Marcos André.

 

Fernando Siqueira complementa: “As melhorias de gestão existentes hoje precisam se transformar em cobranças das dívidas que estão sendo colocadas insistentemente por todos os conselheiros eleitos nos últimos anos. Somente depois isso é que pode ser debatido o equacionamento de plano, como a Petros fez com relação à dívida da Vale Fértil responsável pelo déficit do Plano Petros Ultrafertil. Caso contrário, o que será feito é dividir com os participantes e assistidos uma conta que é da Petrobrás”.

 

O parecer do Conselho Fiscal segue anexo (clique aqui).

Clique aqui para ler no blog dos Conselheiros Eleitos da Petros, canal de comunicação dos participantes com seus representantes no Conselho de Administração da Petros

Conteúdo Relacionado

Av. Nilo Peçanha, 50 - Grupo 2409
Centro - Rio de Janeiro-RJ CEP: 20020-100
Telefone: 21 2277-3750 - Fax 21 2533-2134
Compartilhe
AEPET - Associação dos Engenheiros da Petrobrás Desenvolvido por Arte Digital Internet