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Coutinho critica quebra do conteúdo local

Data: 23/02/2017 
Fonte: Petronotícias Autor: Daniel Fraiha

O presidente da Aepet, Felipe Coutinho, vê a criação de um novo “ciclo colonial” no Brasil. Na entrevista que publicamos a seguir, dada ao site Petronotícias, Coutinho reitera que, como nos outros ciclos coloniais,  apenas uma pequena elite é beneficiada, por algum tempo. "A maioria fica alijada dos ganhos no período próspero, mas herda o caos econômico, social e ambiental quando o ciclo se esgota. Os lucros são privatizados e os prejuízos socializados."

Leia a entrevista:

A decisão do governo de quebrar o conteúdo local atingiu em cheio a indústria, os trabalhadores e as lideranças do setor de óleo e gás, inclusive os engenheiros da Petrobrás, que veem o País tomando medidas que vão esvaziar a cadeia nacional de fornecedores, enviando empregos e divisas para outros países. O presidente da Associação de Engenheiros da Petrobrás (Aepet), Felipe Coutinho, é um dos críticos à decisão e fala ao Petronotícias sobre as consequências que essa posição pode gerar, como a criação de um novo “ciclo colonial” no Brasil. “Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo por multinacionais. O Brasil não será o primeiro”, alerta.

Como a Aepet recebe a decisão do governo em relação ao conteúdo local?

É mais uma decisão lamentável. A alteração da Lei da Partilha com o afastamento da Petrobrás do direito da operação foi o primeiro golpe. Depois, a renovação do Repetro, prorrogando os subsídio e favorecendo a importação de bens e serviços. Agora a redução brutal do conteúdo local mínimo. Somadas às declarações de intenção na aceleração nos Leilões.

Todas essas medidas favorecem as multinacionais e a exportação do petróleo cru, sem agregação de valor.

São medidas que concentram a renda petroleira e favorecem as multinacionais do petróleo e os bancos. Em contradição com alternativas que incentivem o desenvolvimento nacional e a distribuição da renda petroleira na economia brasileira, em benefício da maioria da população.

Nenhum país se desenvolveu exportando petróleo por multinacionais. O Brasil não será o primeiro.

– Qual será o impacto disso na indústria brasileira?

Mais desindustrialização.

Estamos entrando em mais um ciclo do tipo colonial. Como nos outros, ele beneficia uma pequena elite, por algum tempo. A maioria fica alijada dos ganhos no período próspero, mas herda o caos econômico, social e ambiental quando o ciclo se esgota. Os lucros são privatizados e os prejuízos socializados.

– Como pretendem reagir a isso?

A Aepet tem um papel essencialmente formulador. Travamos a disputa das ideias em favor da maioria dos brasileiros. Neste tema, como em outros, apresentamos críticas fundamentadas e alternativas. Também nos articulamos com outros setores organizados para disputar o senso comum.

Nossa defesa da Petrobrás e do petróleo brasileiro visa atender aos legítimos anseios da maioria, dos brasileiros que vivem do trabalho, estudam ou dependem da seguridade social.

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