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Cadê a CNI para protestar contra sucateamento da engenharia acelerado pelo golpe político de 2016 e pela Operação Lavaj

Data: 27/01/2017 
Fonte: Independência Sul Americana Autor: Cesar Fonseca

Onde está o presidente da Confederação Nacional da Indústria(CNI), Robson de Andrade, que se silencia diante da destruição da engenharia nacional acelerada pela Operação Lavajato, pela decisão do presidente da Petrobrás, Pedro Parente, de boicotar as empresas de engenharia brasileiras, dando preferência para as concorrentes internacionais, em clara atitude antinacional e entreguista, no momento em que o País vive sua maior recessão, enfrenta a maior taxa de desemprego, em que os setores produtivos se veem sufocados pela mais alta taxa de juro real do mundo, quando, lá fora, os juros estão na casa dos zero ou negativo, para abater dívidas públicas e abrir espaço a novo endividamento estatal, de modo a puxar a economia pelos investimentos públicos, como planeja, por exemplo, nos Estados Unidos, o nacionalista Donald Trump?

 

Cadê a liderança nacionalista empresarial que deveria estar assumindo o papel de defesa dos interesses dos empresários brasileiros, dos trabalhadores, em vez de estar se banqueteando com os falsos líderes políticos que atentaram contra a democracia cujas consequências são desaceleração econômica, desmobilizações crescentes do patrimônio nacional, concentração dessa riqueza brasileira nas mãos dos concorrentes internacionais, na tarefa de expatriar ativos, na bacia das almas, como ocorre em relação ao pré sal?

 

Que diferença entre industriais brasileiros e americanos, nesse momento! Nos EUA, estes, junto com os representantes dos setores laborais, cerram fileiras ao lado do novo titular da Casa Branca para defender neo-ciclo de desenvolvimento nacionalista. Aqui, ao contrário, os falsos líderes da indústria se omitem diante do saque que se realiza em cima das grandes empreiteiras, destruindo-as, de modo a abrir espaço para as concorrentes ocuparem seu lugar.

 

Compactuam com a centralização, nas mãos das grandes corporações, dos grandes bancos, do poder econômico, financeiro e político nacional para o exterior. São verdadeiros líderes os comandantes da CNI ou confirmam a velha desconfiança de que são, na prática, sócios menores dos interesses externos, agora mais fortes do que nunca diante do decreto presidencial antinacional nº 8957, de 16 de janeiro, que escancara os bancos públicos para emprestar ao capital externo, a fim de adquirirem patrimônio nacional a juros de ocasião?

 

Por que não se faz isso para as empresas nacionais, utilizando as reservas cambiais de quase 400 bilhões de dólares, reservadas, apenas, ao usufruto dos credores e não das forças produtivas?

 

Cadê as lideranças empresariais, nas federações das Indústrias, do Comércio e da Agricultura, beneficiárias dos bilhões arrecadados por percentuais incidentes sobre as folhas nacionais de salários, destinados ao Sesi, Senai, Senac, Senar, administrados pelo setor patronal? Por que não há uma reação coordenada desse Sistema S para defender a engenharia nacional sob sucateamento brutal? Onde está o sentimento nacional dessa classe que manipula as rendas dos trabalhadores em seu benefício, enquanto o desemprego campeia brutalmente?

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