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Globalização para quem?

Data: 18/01/2017 
Fonte: IEDI
Autor: Rogério Lessa

Conforme aponta estudo do FMI de outubro de 2016, Brasil, China, Índia, Indonésia, México e Turquia são economias industriais emergentes de grande porte que desempenham diferentes papéis nas cadeias globais de valor e cujo setor externo cresceu mais do que o PIB. O Brasil, entretanto, foi a economia em que o valor adicionado e a produção exibiram expansão mais lenta desde 1995, apesar de suas exportações terem se elevado mais do que a de Indonésia e México.

 

Segundo a autora do estudo, Dominik Boddin, o fenômeno da produção “global” tem se limitado à América do Norte (com exceção do México), Europa e Leste Asiático – orbitando ao redor das grandes economias industrializadas, respectivamente, dos EUA, Alemanha e Japão. Enquanto China, Índia, México e Turquia participam das redes produtivas em geral atuando como “fábricas” – de formas e por razões diferentes –, o Brasil e a Indonésia estão menos conectadas a essas redes. Além do distanciamento geográfico em relação às economias industrializadas, é destacada como causa desta reduzida inserção desses dois países a baixa participação industrial em suas exportações.

 

Esta constatação reforça a importância das políticas de conteúdo local, que em geral conferem ganho de competitividade à produção de maior valor agregado. Tanto que, de 1995 para 2011 a mudança mais forte observada no valor adicionado doméstico das exportações do Brasil foi a perda de participação de não-duráveis (10 pontos percentuais), apropriada por bens primários. 

 

Em contrapartida, para o mesmo período, a Índia se destacou progressivamente como destino de offshore de serviços e a China como montadora de bens finais – mas também produzindo cada vez mais bens intermediários.  México desempenhou igualmente um papel de montador de bens finais, ligado às redes de suprimentos dos EUA notadamente de bens duráveis, o mesmo ocorrendo com a Turquia em relação à Europa, só que mais associada a bens não duráveis e serviços.

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