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Que retomada, Temer?

Data: 23/11/2016 
Autor: Rogério Lessa

“Em 2016, as ações da Petrobrás já subiram 137%, mas a empresa está sendo desintegrada. O fluxo de caixa futuro está sendo alienado e riscos desnecessários vêm sendo assumidos. Como demonstramos no artigo "Existe alternativa para reduzir a dívida da Petrobras sem vender seus ativos" (clique aqui para ler) não é necessário privatizar para reduzir o endividamento”.

 

A afirmação é do presidente da AEPET, Felipe Coutinho, ao questionar o presidente Michel Temer, que, segundo o jornal Valor desta quarta-feira (23), vê no aumento do valor de mercado das empresas públicas e mistas na bolsa de valores um sinal da retomada da confiança nessas empresas. Temer disse também, segundo o jornal, que a Petrobrás “foi símbolo do desajustamento e hoje é uma empresa ajustada e seu valor de mercado aumentou 145% em quatro meses”.

 

Para Coutinho, é evidente que o preço das ações responde a movimentos especulativos de curto prazo e não se correlaciona estritamente à qualidade da organização ou à sustentabilidade corporativa, “fato largamente demonstrado pelos casos do Lehman Brothers, Washington Mutual, Worldcom, General Motors, CIT Group e  Enron". Na opinião do presidente da AEPET, Temer correlacionou, equivocadamente, o que chamou de "ajuste" da Petrobrás com seu valor de mercado.

 

“Caso o preço das ações fosse relacionado com algum ajuste corporativo, a Petrobrás teria tido seu auge organizacional em novembro de 2009, quando o preço médio mensal das ações preferenciais estava em R$ 31,69. Segundo as revelações da Operação Lava Jato, neste período a Petrobrás estava sendo roubada por um cartel de empreiteiros com a ajuda de políticos traficantes de interesses, executivos de aluguel, operadores financeiros e banqueiros que lavam mais branco”, pondera o presidente da AEPET. Ele considera que a atual direção da Petrobrás, “talvez por uma opção ideológica”, está repetindo os erros das multinacionais privadas a partir da década de 1970, que priorizaram resultados de curto prazo.

 

“Caso a atual diretoria persista neste caminho, o destino da Petrobrás será similar: regressão das reservas e da produção, com perda de capacidade tecnológica. Em uma palavra, o ‘definhamento’, como detalho em "O fracasso da gestão das multinacionais do petróleo e as lições para a Petrobras"(clique aqui para ler).

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