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Mesmo com crescimento da demanda, Petrobrás vai abandonar o biodiesel

Data: 20/10/2016 
Fonte: BiodieselBR

No momento em que a Petrobrás decide sair integralmente da produção dos biocombustíveis, a BiodieselBR divulgou artigo dando conta de que a indústria brasileira de biodiesel está se preparando para entrar em um novo ciclo de expansão acelerada.

 

A AEPET reitera sua posição contrária à decisão tomada pela Companhia. 

 

"Enquanto o mercado de biodiesel cresce, a Petrobrás decide sair integralmente da produção dos biocombustíveis. É um erro estratégico colossal, na contramão das tendências mundiais de redução de emissões e da economia de baixo carbono", comenta o presidente da AEPET, Felipe Coutinho.


Simultaneamente, a Shell avança no mercado de biocombustíveis brasileiros. "A multinacional é sócia da Cosan na Raízen e fez oferta para adquirir a Unidade de etanol celulósico (2G) da Abengoa em Hugoton (Kansas). Enquanto isso, a Petrobrás declara o fechamento da Usina de Biodiesel de Quixadá e planeja desmobilizar suas operações e parcerias em biodiesel e etanol", critica o presidente da AEPET.

 

Leia a seguir o artigo da BiodieselBR

 

A indústria brasileira de biodiesel está se preparando para entrar num novo ciclo de expansão acelerada que, se tudo correr como deve, levará o setor a um nível inteiramente novo de atividade. De volumes pouco inferiores a 325 milhões de litros – média mensal desde a oficialização do B7 –, as usinas precisarão fabricar mais de 510 milhões de litros ao mês a partir da chegada do B10 em março de 2019.


Isso representa mais de 82% da atual capacidade instalada das usinas brasileiras com capacidade de comercialização.


E vale lembrar que a Lei 13.263/2016 abre uma janela para que o governo eleve a mistura obrigatória para até 15%. Considerando que continuemos avançando a mistura num ritmo de 1 ponto percentual ao ano atingiríamos o B15 em 2024. O que nos permite estimar a demanda de biodiesel em 11,4 bilhões de litros com base nas projeções da edição mais recente do Plano Decenal de Energia.


E as associações do setor já começaram a discutir com o governo uma meta de uso de biodiesel ainda maior para o ano de 2030. Isso impõem uma pergunta fundamental: haverá soja para atender essa gigantesca demanda interna? E se produzirmos todo o óleo necessário, o que fazer com tanto farelo?


É sobre esse ponto que Antin Bianchini tratará em sua palestra na conferência BiodieselBR 2016. Ele será um dos palestrantes no segundo dia do evento que acontecerá entre 16 e 17 de novembro na cidade de Guarulhos (SP).


Desde 1974, o economista vem acompanhando o desenvolvimento da cultura da soja no Brasil – época em que a oleaginosa ainda era uma novidade em nossas terras – quando foi convidado a assumir o escritório que empresa que seu primo havia fundado alguns anos antes estava abrindo em Porto Alegre. Hoje, ele ocupa o posto de diretor executivo da Bianchini, empresa brasileira que já acumula mais de 50 anos de atuação o complexo da soja e é um de seus principais players.  


Considerando apenas o que já temos em mãos – B10 a partir de 2019 –, o mercado de biodiesel terá o potencial de absorver até 5,6 milhões de toneladas de óleo de soja o que exigiria o esmagamento de aproximadamente 29,5 milhões de toneladas de soja em grão. Isso seria mais do que o dobro em relação ao ano passado quando a produção de biodiesel consumiu o equivalente em óleo a 14,2 milhões de toneladas de soja.


Esse número, no entanto, considera que 100% do biodiesel seria fabricado com óleo de soja. Situação pouco provável. Ainda que a atual matriz de matérias-primas do setor se mantenha inalterada – em 2015 a soja respondeu por 76,5% do mercado – a demanda de soja para o B10 em 2019 rondaria a casa dos 23,5 milhões de toneladas de soja.


Considerando que o passo seguinte seja a adoção do B15 até 2024, o consumo de óleo pelas usinas chegaria a 10,4 milhões de toneladas de óleo exigiria o processamento de 41,8 milhões de toneladas, se mantivermos o atual mix de matérias-primas.


À primeira vista é possível Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) os sojicultores brasileiros devem colher perto de 123 milhões de toneladas na safra 2023/24 – dos quais pelo menos 51,3 milhões de toneladas ficariam no mercado interno. Isso quer dizer que a produção de biodiesel absorveria 34% da safra total. Mais que o dobro da relação atual que, no ano passado, foi de 15%.


Como grão não deve faltar, é preciso olhar para o óleo. E é ai que a situação fica um pouco mais difícil. As projeções atuais do Ministério da Agricultura apresentam números de produção de óleo de soja no Brasil que são muito aquém da necessidade vindoura de um eventual B15 e do consumo interno de óleo de soja que não para produção de biocombustível. Esse aumento demandaria um forte investimento em novas esmagadoras e um grande ajuste no mercado nacional de soja.


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