Rio de Janeiro,
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Monopólio a preço de banana

Data: 22/09/2016 
Autor: Rogério Lessa

A Petrobrás informou que foram concluídas as negociações com o consórcio liderado pela empresa Brookfield para a venda da Nova Transportadora do Sudeste (NTS). O “mercado”, obcecado pelas questões de curto prazo, comemorou, mas o vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, chama a atenção para diversos aspectos de mais esta iniciativa entreguista.

 

Siqueira frisa que a malha de gasodutos constitui um monopólio natural, que está sendo entregue para empresas estrangeiras. “Parente acelera seu programa de desmonte da Petrobrás, provável razão de ser da sua nomeação, continuando assim os estragos que produziu na empresa como presidente de seu Conselho de Administração no período de 1999 a 2003”, comentou o vice-presidente da AEPET, acrescentando que, com Parente no CA, foram vendidos 36% das ações da Companhia por US$ 5 bilhões, enquanto a AEPET demonstrava que valiam US$ 100 bilhões.

 

“Além disso, foram compradas 49% das ações da Perez Companc, da Argentina, por US$ 1,2 bilhão, empresa que apresentava um rombo de US$ 1,4 bilhão. Segundo Nestor Cerveró, esta compra gerou propina de US$ 100 milhões. Também foi feita uma troca de ativos com a Repsol da Argentina, que causou prejuízo de mais de US$ 2 bilhões à Petrobrás”, contabiliza.

 

Siqueira listou os ativos altamente estratégicos que Parente está vendendo a preço de banana em sua nova passagem pela Companhia.

 

1) Venda da BR, empresa que representa a Petrobrás perante os brasileiros, altamente estratégica por ser a única que leva combustível aos confins do Brasil, onde nenhuma outra distribuidora se dispõe a atender a população carente do Brasil, pois o lucro é muito baixo. “A BR é a joia da coroa por ser uma geradora de fluxo de caixa positivo que ajuda a Companhia nas suas operações. A empresa chegou a ser a maior distribuidora do Brasil exclusivamente por sua competência. Ela também recupera boa parte do lucro gerado pela manipulação da estrutura de preços por parte do cartel de distribuição. Isso incomoda as concorrentes”, esclarece o vice-presidente da AEPET.

 

2) Venda do campo de Carcará, por US$ 2,5 bilhões - Outra doação ao capital estrangeiro em detrimento do povo brasileiro. Um dos melhores campos do pré-sal, com uma reserva da ordem de 2 bilhões de barris, com tendência a crescer ainda mais, em virtude de áreas contíguas no processo de unitização. “É bom lembrar que a alta produtividade dos campos do pré-sal fez com que o custo total de produção saísse de US$ 40 por barril, em 2013, para US$ 20 por barril, em 2016. Portanto, a venda desse campo é mais uma grave lesão ao patrimônio do povo brasileiro”, pondera Siqueira, acrescentando que, pelo projeto de Serra, a Petrobrás não é mais obrigada a participar do pré-sal. “Se o presidente está vendendo um dos melhores campos da área, significa que, em sua gestão, a Petrobrás não se interessará em participar de futuros leilões do pré-sal. Portanto, o projeto Serra entrega o pré-sal para o cartel internacional do petróleo, que conta com sua amiga Chevron.”

 

3) Venda da malha de dutos – “A venda da Nova Transportadora do Sudeste, recentemente efetivada, para um grupo estrangeiro liderado pela Brookfield canadense, operação coordenada pelo banco Santander (pertencente ao dono da Shell e da BP) também se mostra um desastre estratégico, já que uma malha de dutos constitui um monopólio natural e entregá-lo a uma empresa estrangeira é uma total irresponsabilidade ou possível má fé.”  

 

Siqueira questiona, considerando que a queda do valor do dólar de janeiro a agosto resultou num ganho superior a US$ 50 bilhões para a Petrobrás, o que justificaria essa entrega criminosa do patrimônio nacional. “Por essas e outras, a AEPET entrou com uma representação junto ao Ministério Público contra a permanência do senhor Pedro Parente na direção da Companhia”, resume o vice-presidente da AEPET.

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