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O papel geopolítico estratégico do Brasil no século XXI

Data: 01/03/2016 
Fonte: Clube de Engenharia

O Senado aprovou dia 26 de fevereiro último o Projeto de Lei nº 131, que modifica a Lei que instituiu o Regime de Partilhas (Lei n° 12.351/2010) e a manutenção da Petrobras como operadora única do Pré-Sal. Na ocasião, repercutiu na WEB a entrevista do geólogo Guilherme Estrella, conselheiro do Clube de Engenharia, um dos responsáveis pela descoberta do Pré-Sal à frente da Diretoria de Exploração e  Produção do Pré-Sal, ao diretor Francisco Soriano e à jornalista Fátima Lacerda, do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro). Em discussão, os objetivos contrários aos interesses da nação brasileira como causa principal dos ataques à Petrobras. 

 

Na opinião de Estrella, o que está sendo proposto pelos que defendem o PLS nº 131 é uma reorganização da sociedade brasileira e das relações entre a sociedade e o estado brasileiro a partir de um modelo que já deu errado no mundo. “A adoção desse modelo político e ideológico na organização da sociedade e da nação como um todo naufragou na Europa, naufragou na crise de 2008.  Essa experiência maléfica e destruidora em outros países ressurge no Brasil. E não é à toa. É pela importância geopolítica gigantesca do país em um mundo em transformação no século XXI, que seguramente será o século da reorganização da sociedade. Está claro que não dá para continuar com essa barbárie, com países soberanos sendo dominados e destruídos”.

 

Com a perspectiva de que no século XXI a humanidade tenha que passar por um “rearranjo”,  o Brasil surge no cenário internacional com um papel absolutamente chave e com condições concretas de contribuir para essa mudança, já que conta com fontes de energia que permitem e garantem um desenvolvimento autônomo. Por ser um protagonista geopolítico mundial, “desabam” sobre nosso país os grandes interesses “não brasileiros” tendo o Petróleo como questão central, registra Estrella.

 

“O Brasil é um país diferenciado, pela sua territorialidade, pelo seu povo, por suas riquezas naturais estratégicas imensas e, em meio a tudo isso, chega o Pré-Sal, a energia. Até 2002 nós éramos um país dependente de energia. Construímos outro país. Com o trabalho de brasileiros e empresas brasileiras, descobrimos o Pré-Sal, descobrimos grandes reservas em Sergipe, Espírito Santo e Rio Grande do Norte, que nos dão a base de energia absolutamente imprescindível para enfrentarmos o século XXI com desenvolvimento genuinamente brasileiro”, comemora o ex-diretor da Petrobras.

 

É nesta linha de raciocínio que Estrella defende:

 

1. É importante que cada brasileiro discuta e interaja para que se consiga de uma forma ou de outra tentar impedir o que está se configurando como um  enorme salto para trás não só no setor petrolífero nacional como em toda a organização do estado brasileiro e suas relações com a sociedade;

 

2. Brasileiros e empregados da Petrobras têm que ter consciência da obra que a Petrobras  realizou nesses últimos anos, transformando o Brasil, de um país dependente da importação de energia de fornecedores externos, em um país autossuficiente em energia de transporte, em gás natural para indústria, para   consumo doméstico e para matéria prima de fertilizantes e petroquímicos.

 

3. O salto que o Brasil deu é fruto de investimentos da Petrobras. A dívida da Petrobras resulta desse grande esforço. Os problemas? Vamos tratar dos problemas. Mas impossível esquecer que nos últimos 12 anos a Petrobras construiu uma obra inestimável para o futuro brasileiro no século XXI. 

 

E conclui: “Somos hoje um país independente, soberano, diferente do que éramos - um país dependente e obrigatoriamente alinhado com os grandes interesses internacionais. Íamos assinar a Alca - Área de Livre Comércio das Américas! Não podemos ser ingênuos: a potencialidade de produção do Pré-Sal brasileiro entrou nas considerações para nos neutralizar como país geopoliticamente importante na cena mundial desse século XXI”. 

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