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Petros cede a interesses da Petrobrás e veta recuperação da Sete Brasil

Data: 19/01/2016 
Autor: Rogério Lessa

O Conselho de Administração da Sete Brasil foi dissolvido pelos acionistas, já que não conseguia avançar com a recuperação judicial ou qualquer outra proposta para sair do impasse causado pela Petrobrás, após a Operação Lava Jato. Como depende de 85% dos votos para tomar decisões dessa relevância e a Petros, que sozinha detém 18%,  votou contra, ficou impossível encaminhar o processo da recuperação judicial. 

 

Apesar de a Sete Brasil estar praticamente falida, com uma dívida de R$ 14 bilhões, o banco Santander seguiu a Petros e também votou contra, enquanto Petrobrás e FI-FGTS se abstiveram. 

 

Eleito pelos participantes, o atual presidente do Conselho Fiscal da Petros, Ronaldo Tedesco avalia que a Petros não pode simplesmente obedecer a orientação da patrocinadora (Petrobrás). "Precisa atender os interesses dos participantes do fundo de pensão. A negociação do contrato com a Petrobrás está há meses aguardando uma decisão da Companhia, que cada vez coloca mais exigências para o contrato ser assinado, invabilizando-o, na prática". Tedesco, que é Diretor de Comunicações da AEPET, pondera que a Sete Brasil é empresa de infraestrutura que toca obras de interesse do Governo Federal, que não pode transferir a conta para os trabalhadores. "O governo chamou os fundos para participar e agora, com uma conjuntura econômica adversa, quer deixar o mico em nossas mãos: retira do BNDES a possibilidade de financiamento e a Petrobrás se recusa a assinar um novo contrato. Com isso, claramente a Petrobrás prejudica o fundo de pensão dos seus trabalhadores", criticou. 

 

Segundo o conselheiro fiscal eleito, o déficit da Petros vai aumentar "em virtude da decisão equivocada de sua diretoria, em atendimento aos interesses específicos da patrocinadora Petrobrás". Tedesco informou que os conselheiros eleitos da Petros que mantém independência do governo irão tomar medidas questionando a decisão da Petros. "Se não cumprir seu papel, a PREVIC em função da utilização do fundo de pensão como instrumento de defesa dos interesses específicos da patrocinadora Petrobrás. Se não tiver uma atuação correta, a PREVIC estará deixando mais essa conta para ser paga por nós participantes", criticou.

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