Rio de Janeiro,
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Brasil cada vez mais primário-exportador

Data: 17/12/2015 
Autor: Rogério Lessa

Em vez de reforçar a Petrobrás, o governo preferiu conter artificialmente os preços dos combustíveis (causando perdas de R$ 80 bilhões à Companhia) e subsidiar a Fiesp com R$ 285 bilhões (5% do PIB em 2014) em desonerações que apenas aumentaram a margem de lucros de empresários, que hoje se mostram simpáticos à idéia do impeachment de Dilma Rousseff.

 

Durante o programa Faixa Livre da última quarta-feira (16), os economistas convidados (Denise Gentil, da UFRJ; Marcelo Carcanholo e Vitor Araújo, ambos da UFF) alertaram para o estrangulamento da Petrobrás e para o acelerado processo de reprimarização e dependência da economia brasileira. 

 

Neste cenário, destaca-se a queda acentuada da participação da indústria de transformação no PIB, que em 2004 era de 17% e hoje se restringe a 10% do PIB. “O cenário externo contribuiu, mas é um exagero atribuir tudo a ele. Voltamos a ser primário exportadores”, disse Denise Gentil. Juros altos e câmbio sobrevalorizado, além de uma política fiscal conservadora induziram os investidores privados ao rentismo.

 

Vitor Araújo lembrou que a Petrobrás, que era a alavanca do investimento nacional, via pré-sal, sofre hoje com o programa de desinvestimento. “O preço dos combustíveis foi engessado, mas isto não conteve a inflação. Assim perdemos a participação da principal estatal do país e não ganhamos nada”. 

 

Diante do esgotamento do modelo baseado no consumo sem investimento produtivo, o governo se viu mais preso às políticas de curto prazo e distante de uma estratégia sustentável de desenvolvimento, destacou Marcelo Carcanholo. “Não existiu essa estratégia e aprofundamos nossa dependência frente ao cenário mundial”, disse, ponderando que, na crise 2008, o governo respondeu com expansão do crédito, sem conseguir ampliar a capacidade produtiva para atender a demanda. “A conta da desoneração das empresas privadas e da política de crédito bateu nas contas públicas”, ponderou.

 

Como agravante, a tentativa de sair da crise pela via do arrocho fiscal acabou por agravá-la e este, na opinião dos debatedores, deverá ser o legado de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda. Segundo o IBGE, no terceiro trimestre, em números anualizados, a economia caiu 4,5%, sendo que a taxa de investimento despencou 15%. Por seu turno, a produção industrial caiu 11,7%. No estratégico segmento de bens de capital essa queda foi de nada menos que 32,6%. 

 

“Não adianta conter o gasto corrente se o rombo está nos juros. A inflação antes de Levy estava em 6,5% e hoje já supera os 10%. A queda real de até 4% no gasto corrente teve, em contrapartida, uma diminuição ainda maior na arrecadação. Já a despesa financeira saltou de 6% do PIB para 9% do PIB”, resumiu Vitor Araújo. 


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