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No Senado, AEPET defende Pré-sal e Petrobrás

Data: 05/10/2015 
Autor: Rogério Lessa

Semana passada, o senador Paulo Paim (PT-RS)  promoveu audiência pública para homenagear a Petrobrás pelos seus 62 anos de criação e debater o projeto do senador tucano José Serra (PSDB-SP), que, na prática, acaba com o regime de partilha. O encontro teve como primeiro palestrante o engenheiro Raul Bergman, representante da AEPET no Rio Grande do Sul, que apresentou várias propostas para uso do pré-sal em favor do povo brasileiro e citou o exemplo marcante da Noruega, que saiu da condição de segundo país mais pobre da Europa para a condição de país mais desenvolvido do planeta.

 

A Noruega foi agraciada com o título de melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nos últimos cinco anos apenas administrando bem o petróleo que descobriu na década de 1970, através da estatal Statoil. Além disso, a Noruega tem um fundo soberano que atingiu o montante de 900 bilhões de euros. Por outro lado, os países que entregaram seu petróleo ao cartel internacional estão todos na miséria: Gabão, Angola, Nigéria e outros.

 

No final do evento, o vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, foi bastante aplaudido ao responder algumas perguntas propostas em sua palestra: 

 

1) Por que querem o pré-sal? Porque o petróleo é o energético mais eficiente, fácil de produzir, transportar e utilizar. Ele é responsável por 95% do transporte de pessoas e alimentos e também responsável por 85% dos produtos petroquímicos que usamos no dia dia (computadores, celulares, DVDs, fertilizantes e remédios, entre outras aplicações). O petróleo não tem substituto em curto prazo. 

 

2) Quem quer o nosso petróleo? Os países industrializados, liderados pelos Estados Unidos, são profundamente dependentes e não têm reservas de petróleo. O cartel do petróleo, que já dominou 90% das reservas mundiais, hoje controla menos de 5% e suas empresas podem desaparecer. 

 

3) Como agem esses atores? Siqueira mostrou alguns telegramas publicados pelo wikileaks que mostram como as empresas do cartel e o consulado americano atuaram no Congresso Nacional para impedir a lei de partilha. Mostrou uma fala de Patrícia Padral, presidente da Chevron, que dizia “perdemos essa, mas uma lei sempre é passível de ser alterada”. Mostrou ainda que, em 2010, ao reclamar da falta de atuação do PSDB contra a lei, Serra respondeu: “Não se preocupe, se eleito, vou desmontar essa ação dos caras do PT e voltar à lei de concessão.” Portanto, Serra está cumprindo promessa de campanha, feita ao seu eleitorado.

 

4) Quais os métodos usados? Conforme denúncia de Edward Snowden, ex-funcionário da Agência Nacional de Segurança dos EUA, a cada 72 horas uma massa de dados da Petrobrás é remetida para os “Five Eyes” (Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia). Siqueira explicou, usando palestra da presidente Graça Foster no Senado, que no Centro Integrado de Processamento de Dados da Petrobrás  trabalham 35 empresas, sendo 16 brasileiras, 14 norte-americanas e cinco de outros países, e que a criptografia dos dados é feita por três empresas americanas. E mais: o processamento dos dados geológicos é rodado em um software da Halliburton.

 

5) Por que a Petrobrás tem que ser operadora única do pré-sal? Entre outros motivos (a AEPET já listou 14 razões) Siqueira apontou que só desenvolve tecnologia quem opera e tem a retroalimentação operacional e que os dois maiores focos de corrupção na produção mundial são o superdimensionamento dos custos de produção, ressarcidos em petróleo, e a medição fraudulenta da produção. Fez em seguida uma estimativa das perdas que poderiam representar para o país se a Petrobrás não for operadora: 

 

É suposto que os desvios são em torno de 40% da produção. Como o pré-sal, segundo estimativa de dois professores da UERJ, tem uma reserva entre 176 bilhões e 280 bilhões de barris (228 bilhões, em média) e se os desvios são da ordem de 40%, o país perderia 91 bilhões de barris. Como o petróleo vai voltar a US$ 100 muito brevemente, é um montante da ordem de US$ 9,1 trilhões ou, atualmente, R$ 36 trilhões.

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