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O nonsense do balanço da Petrobras

Data: 29/04/2015 
Fonte: GGN Autor: Luis Nassif

Primeiro, vamos entender o nonsense da revisão do balanço da Petrobras.

 

A única função do balanço é apresentar um quadro real da companhia para o mercado, seus resultados operacionais, valor de seus ativos etc.

 

Há duas maneiras de avaliar os ativos de uma companhia: pelo valor de reposição ou pelo fluxo de resultados futuros.

 

Explicando.

 

1.      Suponha que uma empresa adquira por R$ 1 milhão máquinas para produzir chapéu panamá. Esse maquinário é lançado nos ativos pelo valor original e, depois, corrigido anualmente por índices de correção monetária legais. A cada ano desconta-se parte desse valor do imposto a pagar (a chamada depreciação, ou seja, o desgaste da máquina).

 

2.      O segundo método é pelo chamado valor presente, levando em conta quanto ela renderá anualmente pelo seu prazo de vida. Imagine que essa máquina renderá R$ 95.000 por ano por um prazo de 15 anos. Estimando-se uma taxa de retorno de 5% ao ano, o valor presente da máquina seria de R$ 986 mil. Mas suponha que a máquina passe a render apenas R$ 50 mil por ano. Seu valor presente cairá para R$ 519 mil. Algumas consultorias exigem o recálculo do ativo pelo chamado teste de impairment. A diferença entre o valor histórico e o valor presente (R$ 1.000.000 – 519.000) tem que ser descontado do valor contábil dos ativos.

 

***

 

Entendidos os dois conceitos, tente entender agora a mixórdia contábil montada pela PwC, a antiga Price.

 

Em circunstâncias normais ela analisaria o balanço da Petrobras, levantaria as condições de mercado, principalmente a queda substancial no preço do barril de petróleo, e obrigaria a empresa a aplicar o teste do impairment nos seus ativos.

 

Como as cotações de petróleo caíram pela metade, evitaria lançar toda a diferença em um balanço apenas, mesmo porque não havia ainda informações precisas sobre o nível em que as cotações de petróleo se estabilizariam.

 

Seriam feitos alguns ajustes parciais e se diluiria o restante do ajuste pelos anos seguintes, dependendo do comportamento do petróleo.

 

***

 

Aí estoura a Lava Jato com toda sua dose de escândalo.

 

Escaldada por escândalos corporativos nos Estados Unidos, com receio de sofrer algum processo dos investidores, a PwC resolve mostrar serviço.

 

Numa ponta, obriga a Petrobras a um ajuste integral do balanço pelo teste de impairment. Na outra, obriga a empresa a calcular o custo das propinas e lançar no valor de reposição dos investimentos, dois conceitos absolutamente distintos.

 

Volte ao exemplo acima. Se o teste do impairment trouxe o valor de R$ 1 milhão para R$ 519 mil, e se esse preço é correto (à luz das condições atuais do mercado), se pagou a mais ou a menos, se embutiu propina ou não, importa para a investigação criminal, não para o balanço. Não há nenhuma lógica em recalcular o valor dos ativos pelo fluxo futuro e, em cima do novo valor, abater o adicional de corrupção.

 

Ora, se o teste do impairment teoricamente calculou o valor justo dos ativos, se se descontar o suposto valor da corrupção, haverá uma subavaliação e o balanço não refletirá a situação da empresa.

 

No caso da Petrobras, o teste do impairment levou a uma baixa contábil de R$ 44,3 bilhões; o tal cálculo aleatório da corrupção, a mais R$ 6,3 bilhões.

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