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Balanço não garante correção de rumos na Petrobrás

Data: 24/04/2015 
Autor: Rogério Lessa

A apresentação do balanço contábil da Petrobrás está longe de garantir a necessária correção de rumos da Companhia. Além disso, na opinião do atual representante dos trabalhadores no Conselho de Administração, Silvio Sinedino, o documento contém erros graves e por isso não referendou a aprovação. Sinedino não concorda com a metodologia apresentada em dois pontos: o primeiro trem da Refinaria Abreu e Lima não entrou na baixa do imobilizado, sendo contabilizada apenas nas Unidades Geradoras de Caixa (UGCs) (no caso, refinarias em atividade); e também por discordar da responsabilidade assumida pela Petrobrás como patrocinadora da Petros.

 

“Por estes dois motivos, votei contra. Além disso, acredito que o balanço da Petros não reflete a realidade, por usar premissas atuariais inadequadas, então a responsabilidade da patrocinadora ficou subavaliada”, afirmou Sinedino.

 

Lucro bruto cresceu 15%

 

Apesar de todos os problemas, o lucro bruto da Petrobrás teve um aumento de 15% em relação a 2013, passando de R$ 70 bilhões para R$ 80 bilhões. Para o diretor de Comunicações da AEPET, Ronaldo Tedesco, foi o trabalho dos petroleiros que gerou este resultado superior ao que foi realizado nos anos anteriores. “E isso não aconteceu somente no primeiro semestre do ano passado. Se manteve e se ampliou no segundo semestre. Por isso que a reprecificação dos ativos ("impairment") de R$ 44 Bilhões, mais as perdas com a corrupção etc causaram um prejuízo de R$ 21 Bilhões. Se não conseguíssemos os resultados extraordinários com o nosso trabalho, o prejuízo da companhia iria ser bem maior”, observa Tedesco. 

 

Ainda assim, o diretor da AEPET lembra que o montante da PLR proposto pela direção da companhia representa 58% do valor da PLR do ano passado que foi de R$ 1,473 bilhão. “Assim, os petroleiros é que estão pagando a conta da corrupção, sem ter nenhuma responsabilidade ou conivência com isto tudo que aconteceu.”

 

Tedesco enfatiza que a desaceleração no setor petróleo vai continuar enquanto a economia mundial estiver patinando, com os preços do barril em baixa, em prejuízo dos investimentos. Ele salienta que o alvo dos entreguistas e especuladores é a retirada da Petrobrás como operadora única do pré-sal. 

 

Quanto à corrupção, o diretor da AEPET considera que a solução dependerá do comportamento da Companhia daqui por diante. “O principal é saber se os contratos EPC, as cartas convite, etc. irão continuar. Se assim for, a corrupção também se manterá”, define. 

 

Tedesco critica, ainda, a “proposta trivial no capitalismo” para tirar a Petrobrás da crise. “No longo prazo, a redução dos investimentos prejudicará a Companhia. E a saída proposta por Bendine é enxugar investimentos e cortar postos de trabalho. Significa que no futuro teremos que recontratar, pois o pré-sal é uma realidade”, resume, acrescentando que, por um tempo, os balanços não apresentarão os lucros que vinham sendo obtidos no passado recente. 

 

Auditorias independentes?

 

Já Sinedino criticou duramente na reunião do CA a auditoria externa da PwC, que aprovou os balancetes dos dois primeiros trimestres de 2104 e só depois das denúncias do Lava Jato quis impor novas metodologias. “Então para que servem as auditorias ditas independentes?”, questionou Sinedino.

 

Apesar dos números bilionários, Sinedino mostra-se totalmente confiante na capacidade de recuperação da Petrobrás. Como exemplo, ele cita a baixa contábil de outras grandes petroleiras (% em relação ao patrimônio):  na Total, 6,1%; Statoil, 5,7%, BP, 4,3%, sem estarem envolvidas em escândalos de corrupção.

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