Rio de Janeiro,
Em defesa da PETROBRÁS

ALIANÇA PELO BRASIL: Tiro dos golpistas pode sair pela culatra

Data: 09/02/2015 
Autor: Rogério Lessa

Reunidos no Clube de Engenharia, Rio, na tarde-noite de quarta-feira (25), no lançamento da campanha Aliança Pelo Brasil, em defesa da Petrobrás e da Engenharia e Soberania nacionais, diversos representantes de entidades e movimentos da sociedade civil, liderados pelo próprio Clube, AEPET e entidades sindicais, entre outros, disseram um sonoro NÃO à corrupção e à tentativa de desestabilização política e econômica do País através do enfraquecimento da maior empresa do Brasil, a Petrobrás, de seu corpo técnico e da engenharia nacional.

 

As propostas giraram em torno da formação de uma unidade para a resistência à campanha sistemática de uma mídia golpista e seus financiadores, locais e estrangeiros, interessados principalmente em acabar com o regime de partilha, bem como atacar a Petrobrás como operadora única do pré-sal e as políticas de conteúdo nacional. A estratégia golpista, além de não ser novidade, estaria em curso também na Argentina e na Venezuela, segundo alguns oradores.

 

O presidente do Clube de Engenharia, Francis Bogossian, classificou o momento como “gravíssimo”, com possíveis desdobramentos futuros. “Não se pode punir os filhos pelos erros dos pais”, disse, referindo-se ao risco da paralisação dos investimentos da Petrobrás para o emprego 500 mil trabalhadores do ramo de engenharia. A Petrobrás responde por 10% do PIB e 80% dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que envolve, sobretudo, obras de infraestrutura. “Para salvar bancos, criou-se no Brasil o Proer. Por que não criar um programa para a engenharia nacional, obviamente sem deixar de punir corruptos e corruptores?”, indagou Bogossian.

 

Já Felipe Coutinho, presidente da AEPET, lembrou que o Brasil não foi convidado a ter engenheiros e teve que desafiar uma injusta divisão internacional do trabalho. “Defendemos a função social das empresas de engenharia, que pré-supõe o afastamento dos cartéis, que ficaram com 90% do que foi superfaturado, e dois caminhos para essas empresas: a gestão direta dos trabalhadores e a estatização de pelo menos uma, para que o Estado tenha parâmetros inclusive para contratar futuramente empreiteiras privadas”, defendeu o presidente da AEPET.

 

“O tiro dos golpistas pode sair pela culatra, pois a Petrobrás é patrimônio do povo. O processo regressivo instalado com a Carta aos Brasileiros e com a aliança PT-PMDB pode se inverter”, resumiu Coutinho, que sonha ver a Petrobrás 100% pública, controlada socialmente. 

 

Por sua vez, o ex-ministro Roberto Amaral, avalia que já houve um golpe de Estado no País, que estaria, segundo ele, sendo dirigido atualmente por um Congresso conservador ancorado pela mídia, em detrimento do que o povo decidiu nas últimas eleições.

 

O físico Luiz Pinguelli Rosa, da Coppe/UFRJ, lembrou que a Petrobrás foi alvo da espionagem dos Estados Unidos, enquanto o presidente do Crea-RJ contabilizou em 30% do PIB a participação conjunta dos setores de óleo, gás e engenharia na economia nacional. 

 

Discursaram também representantes do Sindipetro, da UNE, da CUT e de outras entidades. Houve unanimidade nas análises a respeito do grave momento político, que inclui a tentativa de um golpe branco, em detrimento de princípios constitucionais elementares e do Estado democrático de direito. 

 

Leia abaixo o manifesto que inaugura a ALIANÇA PELO BRASIL

 

 

EM DEFESA DA SOBERANIA NACIONAL

 

A Nação se defronta com um dos maiores desafios de sua história abalada que está por forças internas e externas que ameaçam os próprios alicerces de sua independência e de sua soberania. As investigações policiais em torno de ilícitos praticados contra a Petrobras por ex-funcionários corruptos e venais estão dando pretexto a ataques contra a própria empresa no sentido de transformá-la de vítima em culpada, assim como de fragilizá-la com o propósito evidente de torná-la uma presa fácil para a fragmentação e a desnacionalização.

 

A Petrobras é a espinha dorsal do desenvolvimento brasileiro. A cadeia produtiva e comercial do petróleo e do setor naval, por ela liderada, representa mais de 10% do produto interno bruto, constituindo a principal âncora da indústria de bens de capital. É uma criadora e difusora de tecnologia, de investimentos e de produtividade que beneficiam toda a economia brasileira. Foi graças aos esforços tecnológicos da Petrobras que se descobriram, em 2006, as reservas do pré-sal, e é ainda graças a sua tecnologia original de produção que o Brasil já retira do pré-sal, em tempo recorde, cerca de 700 mil barris diários de petróleo, que brevemente alcançarão mais de 2 milhões, assegurando autossuficiência e a exportação de excedentes.

 

Deve-se à Petrobras a existência de uma cadeia produtiva anterior e superior do petróleo e da indústria naval, induzindo o desenvolvimento tecnológico da empresa privada brasileira, gerando emprego e renda que, no caso de empresas nacionais, significa resultados que aqui mesmo são investidos, desdobrando-se em outros ciclos de produção e consumo na economia.

 

Tudo isso está em risco. E é para enfrentar esse risco que o movimento social e político que estamos organizando conclama uma mobilização nacional em favor da Petrobras, instando o Governo da República a colocar todos os instrumentos de poder do Estado em sua defesa, de forma a mantê-la íntegra, forte e apta a continuar desempenhando o seu papel de líder do desenvolvimento nacional e a enfrentar, por outro lado, o desafio do seu enfraquecimento planejado por forças desnacionalizantes e privatistas internas e externas.

 

Ao lado da defesa da Petrobras vemos o imperativo de proteger a Engenharia Nacional, neste momento também ameaçada de fragmentação e de liquidação frente ao risco de uma desigual concorrência externa. Repelimos com veemência eventuais atos de corrupção ocorridos na relação entre empresas de engenharia fornecedoras da Petrobras, e seremos os primeiros a apoiar punições para os culpados, mas somos contra a imputação de culpa sem provas, e a extensão de culpa pessoal a pessoas jurídicas que constituem, também elas, centro de geração de centenas de milhares de empregos, de criação de tecnologia nacional e de amplas cadeias produtivas, e de exportação de serviços com reflexos positivos na balança comercial.

 

Todos que acompanham negociações internacionais conhecem as pressões que recaem sobre o Brasil e outros países em desenvolvimento no sentido de abertura de seu mercado de construção pesada a empresas estrangeiras. Somos inteiramente contrários a isso, em defesa do emprego, da renda e do equilíbrio do balanço de pagamentos. Se há irregularidade na relação entre as empresas de construção e a autoridade pública que sejam sanadas e evitadas. Mas a defesa da Engenharia Brasileira implica a preservação da empresa brasileira à margem de qualquer pretexto.

 

Não é coincidência os ataques à Petrobras, ao modelo de partilha da produção que a coloca   como operadora única do pré-sal, à política de conteúdo local, à aplicação exclusivamente na educação e na saúde públicas dos recursos do pré-sal legalmente destinados a esses setores,   à Engenharia Brasileira como braço executivo de grande parte de seus investimentos, e também ao BNDES, seu principal financiador interno, que tentam fragilizar rompendo sua relação com linhas de financiamento do Tesouro: tudo isso faz parte não propriamente de ataques ao governo mas de uma mesma agenda de desestruturação e privatização do Estado em sua função de proteger a economia nacional.

 

É nesses tópicos mutuamente integrados que concentramos a proposta de mobilização nacional que estamos subscrevendo, e que está aberta à subscrição de outras entidades e de todos os brasileiros que se preocupam com o destino de nossa economia e de nosso país. Estamos conscientes de que o êxito dessa mobilização dependerá da participação do maior número possível de entidades da sociedade civil, de partidos políticos e das cidadãs e cidadãos individualmente. E é da reunião de todos que resultará a afirmação da Aliança pelo Brasil em defesa da Petrobras, do Estado social-desenvolvimentista e de um destino nacional de prosperidade.


Conteúdo Relacionado

Tags

Petróleo Política Óleo Leilão Greve dos Petroleiros Ciência e Tecnologia AEPET Aposentadorias Aposentados Leilão de Libra Leilão de Xisto Gás de Xisto Campanha Salarial Crise na OGX Direitos Humanos Direitos Trabalhistas Desigualdade Social Educação Meio Ambiente Europa EUA Greve História Justiça Manifestações Mercosul Transporte Tortura Violência Venezuela Economia Saúde Petros Amazônia Pré-sal Benefícios Faixa Livre Comperj Cuba Governo Água Universidade Irã Síria Brasil Biografia processos ações Heitor Manoel Pereira Fernando Siqueira Diomedes Cesário Silvio Sinedino Ronaldo Tedesco Diretoria ANIVERSÁRIO Diretoria AEPET SÓCIO sindipetro francisco soriano João Victor Campos Luis Nassif Petrobras Depoimento da Presidente da Petrobrás Situação do Brasil hoje Paulo Passarinho energia nuclear Previdência Social Brics corrupção O GLOBO Falecimento Eleições na AEPET Comissão da Verdade geopolítica Presidência da República plebiscito Polícia Militar Eleição biocombustíveis Marina Silva carta aos presidenciáveis Fenaspe Clube de Engenharia programa PSB Eleições Facebook Ficha limpa Shell ONU correção do FGTS Petrobrás operadora única Corrupção na Petrobrás Dilma Rousseff Emídio Rebelo Filho empreiteiras Momento político Felipe Coutinho Defesa da Petrobrás STJ Adriano Benayon cartéis Felipe Campos C. Coutinho Reforma política Anselmo Gois Edital de convocação diretoria 2015 - 2017 Monopólio Atentado na França Movimento em Defesa da Petrobrás Grécia Aliança pelo Brasil liquidação de ativos Petros Assembleia de acionistas Momento econômico Maioridade penal Conselho Deliberativo AEPET Reforma eleitoral AEPET Direto PDT Reforma Política AEPET apresenta 14 razões em defesa da Petrobrás como operadora única do pré-sal Operadora única Greve na ADUFRJ Audiência pública sobre o documento da AEPET sobre o pré-sal Reforma da Previdência Troca-troca de partidos EBSERH Violência contra professores Ocupação na Câmara Conselho Universitário- EBSERH Novos partidos Governo Vargas Senado PSB Espionagem Situação da China Situação da Grécia Pré-sal no Senado Desinvestimento da Petrobras Vendas de aditivos da BR Vendas de ativos da BR Greve da Eletrobras Ativos da Petrobras Ato em defesa da Petrobras Índio Congresso Dívida Paralização Olimpíadas Votação Agenda SUS Escola Carta Capital Migrações Crise humanitária na Europa Conflito de Terra em Antônio João Planalto INCRA Desapropriação Seminário Petrobrás Lava-Jato Capitalismo UERJ Veto Servidor público Ministério do trabalho Troca de partido do PSOL para a REDE Nildo Ouriques Eliomar Coelho CCR Barcas Governo do Rio Bernardo Kocher Emanuel Cancella Politica Documento da AEPET sobre proposta de José Serra leniência José Serra Alex Prado saúde socialismo Michel Temer Pedro Parente Petronotícias Arnaldo Jordy Vitória de Trump Base de Alcântara Assembleia
Av. Nilo Peçanha, 50 - Grupo 2409
Centro - Rio de Janeiro-RJ CEP: 20020-100
Telefone: 21 2277-3750 - Fax 21 2533-2134
Compartilhe
AEPET - Associação dos Engenheiros da Petrobrás Desenvolvido por Arte Digital Internet