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Investimento travado na Petrobrás agrava desindustrialização

Data: 05/02/2015 
Autor: Rogério Lessa

A paralisação de investimentos importantes na Petrobrás só contribui para o agravamento do processo de desindustrialização em curso no País, que caminha a passos largos para um modelo muito semelhante ao das colônias: produção de matérias-primas e dependência de produtos com maior valor agregado.

 

No acumulado de 2014, a produção de bens de capital retrocedeu 9,6%, refletindo a retração das atividades em quase todos os seus segmentos pesquisados pelo IBGE, destacando-se as quedas em bens de capital para indústria (–4,2%), para agricultura (–8,7%), para transporte (–16,6%) e para construção (–10,1%). Foi um dos piores anos para o setor de bens de capital e é provável que, no primeiro semestre deste ano, continue amargando resultados muito negativos. O segmento de petróleo e gás poderia ser uma alavanca para bens de capital, o melhor segmento da indústria, pois puxa tecnologia e produtividade na economia, com reflexos positivos em toda a atividade industrial e até no combate à inflação, pois aumenta a oferta. Mas infelizmente não é o que estamos assistindo. 

 

Considerando o acumulado janeiro-dezembro de 2014, o recuo de 3,2% da produção geral da indústria nacional refletiu, além do encolhimento da atividade de bens de capital, a retração da produção de 9,2% no setor de bens de consumo duráveis (sobretudo devido à queda de 14,6% na produção de automóveis), 2,7% no setor de bens intermediários e –0,3% no de bens de consumo semi e não–duráveis (–0,3%).

 

“O ano de 2014 se caracterizou por um dos momentos mais adversos na história recente da indústria nacional, de acordo com os números do IBGE: taxas negativas nos quatro setores, em 20 dos 26 ramos produtivos, 60 dos 79 grupos e 63,9% dos 805 produtos pesquisados”, diz o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (IEDI).

 

Especificamente em relação ao petróleo e ao gás, o cancelamento das refinarias premium quebra a expectativa dos industriais e deve agravar a crise. Esta é a opinião de todas as entidades da indústria e dos trabalhadores. A AEPET reitera sua postura de intransigente defesa das políticas de conteúdo nacional e preservação da Petrobrás como operadora única do pré-sal. Neste momento a sociedade brasileira está atenta à nomeação da nova diretoria da Petrobrás e os movimentos sociais que lideram o movimento em defesa da maior empresa do País já definiram o perfil esperado para os novos gestores:

 

- Reputação ilibada;

- Histórico de defesa da Soberania Nacional e

- Conhecimento especializado na área de petróleo.

 

É importante também que os trabalhadores da Petrobrás sejam ouvidos, para que possam encaminhar uma lista tríplice ao governo, para que escolha o novo presidente da Companhia. Tal procedimento nada tem de inovador, já que é adotado na Fiocruz, universidades e outros órgãos públicos. 

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