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Conteúdo nacional sob ataque

Data: 03/12/2014 
Fonte: Monitor Mercantil e Site 247
Autor: Rogério Lessa

A idéia de se construir navios e plataformas no Brasil gera emprego e renda no país, mas desagrada muita gente. Outros querem abrir o nosso mercado para empreiteiras estrangeiras.

Segundo o jornalista Sergio Barreto Motta, do Monitor Mercantil, as críticas, antes limitadas ao Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás (IBP), após o escândalo Petrobrás, passaram a ser generalizadas. "É bom lembrar que o preço de uma plataforma está em torno de US$ 1 bilhão, ou seja, dá margem a muitas comissões para intermediários nas importações", diz o colunista.

 

"Nos oitos anos de governo do PSDB, a Petrobras lançou o programa Navega Brasil, que sequer implicou a construção uma única unidade no país, enquanto dois navios usados, com nomes típicos brasileiros, foram importados da Coréia do Sul: Ataulfo Alves e Cartola. Seus nomes eram, respectivamente, Mega Eagle e Mega Hawk. O que é melhor, fazer esses navios no país, pagando o Custo Brasil – onerado com política cambial que supervalorizou o real – ou simplesmente comprá-los na Ásia?

 

Em editorial desta quarta-feira, com o título de “Monumento ao desperdício do dinheiro público”, O Globo chama o conteúdo local de “programa anacrônico de substituição de importações”, no “figurino da ditadura militar”. Qualifica a Sete Brasil de empreendimento-símbolo de dirigismo estatal, embora seja obrigado a citar que dela participam gigantes privados, como Bradesco, Santander e BTG Pactual. Garante que apenas cinco das sondas começaram a ser montadas.

 

No próprio jornal, um anúncio da Sete Brasil corrige números e fatos. Diz que 29 sondas serão usadas no pré-sal, únicas no mundo a atender aos requisitos de conteúdo local. Em vez de cinco, estão em construção 16 sondas, sendo que duas 80% prontas. Explica que os pagamentos iniciais seriam prática usual, para compensar gastos em projeto e encomendas a subfornecedores. Informa Sete Brasil que está em curso processo de auditoria interna, para apurar ligações com a operação Lava Jato. Querem aproveitar um escândalo para minar, a qualquer custo, um projeto de pleno sucesso, que é a política de conteúdo local", finaliza Barreto.

 

Já o jornal site 247 aponta que "O Globo, dos irmãos Marinho, decidiu pegar carona na Operação Lava Jato" para defender uma antiga bandeira do governo dos Estados Unidos: a abertura do mercado brasileiro de engenharia a empresas internacionais. "Reportagem publicada neste domingo no jornal, com destaque na primeira página, afirma que a abertura às empreiteiras internacionais será inevitável."

 

Um dos fatores que poderia acelerar a abertura do mercado brasileiro seria uma eventual declaração de inidoneidade das empreiteiras brasileiras. Como a Lava Jato atinge praticamente todas as construtoras nacionais, como Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, além de Mendes Júnior, UTC e Engevix, uma solução radical poderia inabilitar o trabalho de praticamente todas as empreiteiras com órgãos públicos.

 

"O Globo cita, ainda, um caminho para facilitar o ingresso de gigantes internacionais no País. "Uma das estratégias do governo para abrir o mercado da construção, se a Lava-Jato tornar as grandes empreiteiras locais inidôneas, seria aproximar as estrangeiras das empresas médias brasileiras, a fim de dar a estas mais fôlego financeiro", resume a reportagem.


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