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Membros pobres não têm vez na Opep

Data: 28/11/2014 
Autor: Rogério Lessa

A Arábia Saudita frustrou a esperança dos membros mais pobres da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ao vetar a proposta de um corte na produção, atualmente em 30 milhões de barris diários, cerca de um milhão acima da estimativa para a demanda em 2015. Com isto, fica afastada a possibilidade de interrupção na tendência de queda dos preços do barril de petróleo, cuja cotação está abaixo dos US$ 80 – desde junho a queda já supera 30%. 

Na opinião do vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, os EUA e a Arábia Saudita articulam a queda nos preços para criar dificuldades para Rússia e o Irã. “Caindo o mercado e o preço, o Irã passa a precissar que o barril vá a US$ 140. O mesmo vale para a Rússia”, calcula, lembrando que na década de 1990 Inglaterra e EUA, junto com Arábia Saudita, “quebraram a Rússia, levando o barril a US$ 10”.

O próprio banco Goldman Sachs publicou análise recente reconhecendo que os Estados Unidos, gradativamente, estão assumindo a função de regulador dos preços no mercado mundial de petróleo, em detrimento da Opep, devido ao contínuo crescimento da oferta fora daquela organização. Já a Arábia Saudita tem interesse em inviabilizar o gás de xisto (folhelo), cujo custo de produção está a US$ 90 o barril. No entanto, o preço baixo do petróleo pode ser um “tiro no pé” para os sauditas, pois o país não sustenta produção acima da média por muito tempo, destaca Siqueira.


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