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Petrobrás – um fim em si mesma?

Data: 25/11/2014 
Autor: Argemiro Pertence

Deixando à parte a atual dramática situação da Petrobrás, resultante de decisões políticas irresponsáveis tomadas no passado recente, é necessário observar a empresa num contexto maior que extrapola o âmbito da própria empresa.

 

A Petrobras não é um fim em si mesma. Como toda e qualquer empresa nos limites do capitalismo, a Petrobrás é um meio de gerar bens ou serviços, tendo lucro nesta operação, e oferecê-los ao chamado “mercado”. Como empresa sob controle do Estado, a Petrobrás tem seu “mercado” no Brasil.

 

A Petrobrás tem como objetivo final oferecer combustíveis derivados de petróleo. A esta altura da História, é lamentável anotar que cerca de 70% dos combustíveis que a Petrobrás produz vai parar nos tanques de veículos equipados com os superados motores a explosão.

 

Ninguém mais desconhece que a queima dos combustíveis produzidos pela Petrobrás e outras empresas do ramo é nociva à atmosfera pela qual estamos todos envolvidos. É cada vez maior o número de pessoas que sofre os efeitos da agressão do gás carbônico e outras impurezas geradas pela queima de derivados de petróleo.

 

Nas grandes metrópoles brasileiras e de outros países periféricos, o cidadão comum adotou o carro como acessório de sua vida diária. Esta adoção superlotou o espaço das cidades com esses veículos e tornou difícil o deslocamento das pessoas. Este mesmo cidadão comum já incorporou à sua rotina diária a perda de 2 a 3 horas a serem gastas nos inefáveis congestionamentos de trânsito.

 

A propaganda e o incentivo ao uso do transporte individual é fator de inibição à implantação de serviços de transporte coletivo eficiente e digno. Nos países onde se dá mais importância ao ser humano do que às empresas montadoras de automóveis, os sistemas de transporte coletivo são a regra. Existem os veículos de uso individual apenas para uso eventual.

 

Ao lado deste problema, temos no Brasil a predominância do transporte sobre pneus, mesmo para o transporte de cargas a longas distâncias. Esta opção desencoraja os transportes ferroviário, fluvial e de cabotagem num país com milhares de quilômetros de rios navegáveis e um litoral de 7.400 km de extensão. É inegável que a opção rodoviária no caso do Brasil é a menos inteligente e a mais cara.

 

É cada vez mais comum a construção e inauguração de novas rodovias, entregando-as à exploração do capital privado e cobrança de pedágios elevando os custos do frete e das mercadorias. É o tipo do negócio de pai para filho, já que apresenta baixo nível de risco.

 

Enquanto todo o mundo se prepara para substituir o petróleo como fonte de energia em vista de seus problemas insuperáveis, no Brasil, de forma “patriótica”, ainda se enfatiza a necessidade deste energético. Este descolamento tem a Petrobrás no seu centro, como se esta fosse um fim em si mesma, isolada dos fatos que se passam à sua volta. Patriotismo verdadeiro seria defender o investimento maciço em pesquisa para o desenvolvimento de novas fontes de energia.

 

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