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Política industrial depende do uso inteligente do petróleo

Data: 12/11/2014 
Autor: Rogério Lessa

Segundo o IBGE, em setembro o emprego industrial recuou mais uma vez no Brasil, que para muitos especialistas vive um processo acelerado de desindustrialização. E a atividade de refino de petróleo e produção de álcool foi a que mais fechou vagas ao encolher 8% entre janeiro e setembro, na comparação com o mesmo período do ano passado. 

Nos nove primeiros meses do ano, a indústria em geral acumula queda de 2,8% e provavelmente fechará 2014 com uma retração próxima dessa taxa. Será, portanto, um resultado muito pior do que os registrados em 2012 (–1,4%) e 2013 (–1,1%). As perspectivas de curo prazo não são favoráveis, já que o número de horas pagas na indústria também vem caindo ao longo do ano e sua taxa de variação ficou mais negativa (–1,9%) no terceiro trimestre com relação ao segundo, considerando os ajustes sazonais.

O setor de máquinas e equipamentos, que pode ser influenciado pela demanda do setor petróleo, também recuou em 2014 - até setembro 5,3% - evidenciando a importância de se manter uma política de conteúdo nacional e uma estratégia de exploração de pré-sal em ritmo que a indústria brasileira possa acompanhar. Além disso, o país não deve exportar petróleo bruto, como defende a AEPET.

Esses números, segundo o Presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, contrastam com as perspectivas do setor naval, obviamente em função da demanda da Petrobrás. 

Em artigo publicado no jornal Monitor Mercantil para anunciar nova edição do  Prêmio Naval de Qualidade e Sustentabilidade Acurcio de Oliveira (PNQS), ele destaca os efeitos das encomendas de plataformas e navios. “Hoje, o setor conta com mais de 380 obras. Só do Japão, quatro grupos estão investindo no setor. Novos estaleiros são criados por todo o país – espalhando uma riqueza antes concentrada no Rio de Janeiro. E, para o futuro, a expectativa é mais reluzente ainda, com possibilidade de obras de ate US$ 100 bilhões. Só a Petrobrás tem necessidade de 56 plataformas”, contabiliza, acrescentando que, mantida a política de conteúdo nacional por mais quatro anos, a construção naval “terá tempo para confirmar sua eficiência e partir para uma nova etapa, que é oferecer preços competitivos e de confirmar sua perenidade, ao iniciar exportações para países vizinhos e para a África”.

Neste aspecto, das exportações, a AEPET tem reiterado que o petróleo não deve ser usado para minimizar o déficit externo. O país deve priorizar a inovação, os ganhos de produtividade e competitividade em produtos de maior valor agregado, notadamente em setores geradores de empregos mais sofisticados. “Muitos acusam os estaleiros de cobrarem valores altos, mas deve-se levar em conta o período de aprendizagem, após uma década em que as máquinas ficaram com teias de aranha; a reconvocação de homens e o gasto para seu ensino; o obstáculo representado pela política cambial, que manteve o real valorizado por longo tempo, dificultando a competição nacional; e, por último e não menos importante, o Custo Brasil”, resume o presidente do Sinaval, enfatizando a necessidade da participação dos governos no estímulo a setores chave, como é o caso do naval, cujo sucesso recente está diretamente ligado à demanda da Petrobrás e demais integrantes do Sistema Petrobrás

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