Notícias

Rússia e China cada vez mais próximas

Data: 11/11/2014 
Autor: Rogério Lessa

Meses depois de assinar um termo bilionário, China e Rússia firmaram outro acordo por fornecimento de gás. O memorando garante o fornecimento de gás pela rota ocidental, e foi assinado pela russa Gazprom e a estatal chinesa National Petroleum Corporation (CNPC). A CNPC ainda se comprometeu a comprar 10% da participação da Vankorneft, subsidiária da maior pretolífera russa, a Rosneft.

Com o acordo, a Europa, que consumia 70% do petróleo e 65% do gás exportados pela Rússia, pode ser superada, no médio prazo, pela China como principal destino dos hidrocarbonetos russos.

A Rússia se tornou uma dor de cabeça para o líderes do continente desde o início da crise na península da Crimeia, na Ucrânia, potencializada pelas sanções ao país, impostas pelos Estados Unidos. “Os Estados Unidos estão empurrando a Rússia para os braços da China”, comenta o vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, que vê dois aspectos a destacar: um positivo e outro negativo. 

“Uma articulação entre Rússia e China pode devolver um salutar equilíbrio de forças ao mundo. No entanto, eventual volta da Guerra Fria só atende aos interesses dos vendedores de arma, que são os mais influentes nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, a Rússia também é grande fornecedor de armamentos, deixando o mundo à mercê do comércio mais pernicioso, que é de armas”, avalia o vice-presidente da AEPET, acrescentando que nas crises capitalistas em geral se recorre aos conflitos armados, em detrimento das políticas anti-cíclicas e distributivas.

A cooperação em petróleo e gás entre a Rússia e a China está ganhando força enquanto os Estados Unidos e a União Europeia estão tentando reduzir os fornecimentos de gás russo para a Europa Ocidental e do Leste. Neste sentido, peritos observam que, enquanto o Ocidente está resolvendo suas tarefas políticas ligadas à posição independente de Moscou sobre a Ucrânia, o seu lugar no mercado de energia russo está sendo ocupado pela China. O primeiro sinal forte da Rússia e da China para o Ocidente foi o gasoduto Força da Sibéria, as negociações sobre o qual até agora duraram mais de dez anos.

Conteúdo Relacionado

Tags