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Brasil não deve exportar petróleo para cobrir rombo externo

Data: 06/11/2014 
Autor: Rogério Lessa

Com o déficit das contas externas girando em torno de 4% do PIB, sinal de dependência do capital especulativo para fechar o balanço de pagamentos, o economista Dércio Garcia Munhoz, ex-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon) teme que o governo ceda às pressões e coloque pessoas ligadas ao setor financeiro em setores chaves da administração pública, como o Ministério da Fazenda. Munhoz alerta ainda para o risco do país exportar petróleo aceleradamente, e com o preço atualmente em baixa, para fazer frente ao déficit externo.

“O Banco Central (BC) não elevou a taxa de juros para enfrentar inflação alguma, mas para tentar manter o fluxo de capitais no azul. Esse modelo traz um risco crescente e nos obriga a fazer concessões permanentemente. A AEPET tem papel fundamental para tentar impor limites a essa situação”, avalia o economista, que é professor da Universidade de Brasília (UnB).

Munhoz recorda 2006, quando o governo cedeu a pressões e tentou fazer a oitava rodada de licitações (leilões de petróleo).  “ Depois veio o leilão de Libra. Agora o grande risco, com a fragilidade externa crescente, é que o governo venha a fazer ainda mais concessões, já que as fontes tradicionais de recursos externos estão escassas. Daí as acusações à Petrobrás”, observa.

O economista acrescenta que a indústria nacional “está parada há 10 anos” e que cada ponto percentual de alta na taxa básica de juros (Selic) produz um aumento anual de R$ 25 bilhões na despesa financeira do governo. “Este valor equivale à verba do Bolsa Família para este ano”, comparou, acrescentando que o índice baixo de desemprego se deve mais à desistência das pessoas em procurar trabalho do que à geração de postos.

“A cada dez trabalhadores que perdem emprego, 12 desistem de procurar, gerando a falsa impressão de que o desemprego está caindo”.


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