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O que há por trás dos escândalos envolvendo a Petrobrás

Data: 17/09/2014 
Autor: Henrique Sotoma

Face aos acontecimentos envolvendo a Petrobrás no que diz respeito a possíveis atos de corrupção, subornos, informações desencontradas e/ou contraditórias nos últimos 15 anos, a mídia em geral tem nos levado a considerar como escandalosas as notícias pelo simples fato de a Petrobrás ainda ser uma empresa estatal.

Como sair dessa situação? Na privatização das telecomunicações, o governo acabou com a nossa indústria eletroeletrônica e centros de pesquisas de Campinas, do ITA, do Rio, etc. Não sabemos que fim tiveram os profissionais daquela área. As multinacionais que compraram as telefônicas hoje compram tudo de fornecedores no exterior. Foi uma benesse do governo na época. Hoje somos meros montadores de equipamentos eletroeletrônicos e as empresas ganharam um tremendo mercado consumidor!

Na área mecânica, com as privatizações das empresas siderúrgicas, fertilizantes, petroquímicas, etc., aconteceu a mesma coisa: acabaram-se as grandes empresas fornecedoras na área metalmecânica.  

No Brasil, a década de1990 representou a década das privatizações; milhares de empresas foram desestatizadas e outras acabaram sendo fechadas. Não é nenhuma surpresa termos o aumento de desemprego nos segmentos de maior valor agregado. Na hora da crise, quem paga somos nós, os trabalhadores! Onde vamos parar? Só falta privatizarem a Petrobrás para voltarmos a ser uma colônia! 

 

Antes de prosseguirmos, sugiro uma pequena leitura sobre algumas instituições de nível mundial e regional.

 

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1) O DIÁLOGO INTERAMERICANO E FHC: Artigo publicado em 28.11.2002 no Monitor Mercantil.

Prof. Marcos Coimbra

 

O Diálogo Interamericano foi fundado em 1982, por iniciativa do banqueiro David Rockefeller. Seu endereço é 1211 Connecticut Avenue, Suíte 510, Washington, DC 20036, tel. (202) 822-9002, fax (202) 822-9553, site: iad@thedialogue.org. É composto por cidadãos oriundos dos EUA, Canadá, México, América do Sul e Caribe. Seus dois objetivos principais são: 

 

a) propiciar um significativo canal não governamental de comunicação entre líderes das Américas; 

 

b) providenciar análise substancial e propostas de políticas específicas, com o objetivo de resolver problemas regionais cruciais. Tudo isto dentro do receituário neoliberal, preconizando o fortalecimento das entidades de direitos humanos, o enfraquecimento das Forças Armadas, a necessidade de garantir o pagamento das dívidas externas e privatização de empresas estatais para abater dívidas e a questão das drogas, em especial no que afeta ao Poder Nacional dos EUA.

 

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2) CONSENSO DE WASHINGTON

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

Consenso de Washington é um conjunto de medidas - que se compõe de dez regras básicas - formulado em novembro de 1989 por economistas de instituições financeiras situadas em Washington D.C., como o FMI, o Banco Mundial e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, fundamentadas num texto do economista John Williamson, do International Institute for Economy, e que se tornou a política oficial do Fundo Monetário Internacional em 1990, quando passou a ser "receitado" para promover o "ajustamento macroeconômico" dos países em desenvolvimento que passavam por dificuldades.

 

Mais adiante, o mesmo documento diz:

 

John Williamson criou a expressão "Consenso de Washington", em 1990, originalmente significa: "o mínimo denominador comum de recomendações de políticas econômicas que estavam sendo cogitadas pelas instituições financeiras baseadas em Washington D.C. e que deveriam ser aplicadas nos países da América Latina, tais como eram suas economias em 1989."[4] 

 

Desde então, a expressão "Consenso de Washington" fugiu ao controle de seu criador e vem sendo usada para abrigar todo um elenco de medidas e para justificar políticas neoliberais, com as quais nem mesmo Williamson concorda:

 

"Claro que eu nunca tive a intenção que meu termo fosse usado para justificar liberalizações de contas de capital externo... monetarismo, supply side economics, ou monarquia (que tira do Estado a função de prover bem-estar social e distribuição de renda), que entendo serem a quintessência do pensamento neoliberal”. [4]

A prática na política econômica mundial (independentemente das intenções originais de seu criador), o termo "Consenso de Washington" foi usado ao redor do mundo para consolidar o receituário de caráter neoliberal - na onda mundial que teve sua origem no Chile de Pinochet, sob orientação dos Chicago Boys, que seria depois seguida por Thatcher, na Inglaterra (thatcherismo) e pela economia do lado da oferta (supply-side economoics) de Ronald Reagan (reaganismo), nos Estados Unidos.

O FMI passou a recomendar a implementação dessas medidas nos países emergentes, durante a década de 1990, como meios para acelerar seu desenvolvimento econômico.

 

 

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Manchar a imagem da Petrobrás é interesse de quem quer privatizá-la

 

Observe que no caso das privatizações já realizadas, perdemos duas vezes: no momento de importar os acessórios e após venda, na remessa de lucros. No governo Collor foi aprovada a desestatização de dezoito empresas nos setores siderúrgico, de fertilizantes e petroquímicos, tais como Aços Finos Piratini, CNA, Copesul, Cosinor, CST, Fosfértil, Petroflex e Usiminas.

 

Especificamente, no Brasil, no inicio da década de 90 entramos no governo Fernando Collor que iniciou com as privatizações das empresas estatais (USIMINAS – a mais lucrativa do setor siderúrgico) estimuladas pela ação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, conforme O Consenso de Washington, com a justificativa de que elas incrementariam o crescimento econômico, investimento em novas tecnologias, etc..

A seguir, veio Itamar Franco que implantou o Plano Real (não foi FHC). Em seguida, com a vinda do governo de FHC houve uma grande privatização, tais como: venda da Vale do Rio Doce, venda da CSN, venda da Embraer, Empresas de Energia, Empresas Telefônicas (escandaloso a forma como foi realizada), Bancos Estaduais, quebra do monopólio do petróleo, etc., etc.; nessas privatizações, o Brasil perdeu alguns bilhões de reais. 

 

A partir daí, quebrou-se toda a cadeia produtiva do Brasil, apesar das restrições impostas nas privatizações, pois muitas das empresas privatizadas tinham e ainda mantém o privilegio de comprar lá fora utilizando créditos do BNDES! 

No caso especifico da Petrobrás, no final do primeiro mandato do Governo FHC foi editada a Lei nº 9478/97 quebrando o monopólio de petróleo da União; tentou-se alterar o nome para Petrobrax (soaria melhor aos ouvidos de possíveis compradores estrangeiros!). Graças ao empenho dos petroleiros isso não aconteceu.

Já nos governos de Lula e Dilma, continuaram fatiando a Petrobrás com o leilão do campo gigante de Libra (cerca de 15 bilhões de barris!) por U$ 20 bilhões de dólares.

Nos últimos 15 anos têm estourado casos de corrupção envolvendo a maior empresa do Brasil, que é a Petrobrás: Caso Marítima, Caso Schahin, Caso Sondas de Perfuração, Repasse de verbas para a FUP, Operação Águas Profundas, etc. Mais recentemente, temos o caso envolvendo o custo de construção da Refinaria do Nordeste e a compra da Refinaria de Passadena. 

Enfim, basta mencionar que é um caso envolvendo a Petrobrás que o fato se torna motivo de noticia de primeira página. Nem bem o assunto foi analisado, já se torna um escândalo e todos os jornais dão a sua versão em função dos dado s obtidos com “fulano” ou “sicrano”.

Verdades ou mentiras, de qualquer maneira tudo isso vai minando a moral da Empresa. O povo em geral, começa a ter como referencia esses escândalos. Qual a finalidade de tudo isso?

 

1) Desmoralizar a Empresa e desestabilizá-la de tal forma que force o Governo a privatizá-la!

 

2) Minar a moral dos trabalhadores da Petrobrás? Talvez em médio prazo SIM, pois, a colocação incessante dessas matérias consideradas escandalosas pela mídia nada mais é do que uma tentativa de dominação através da técnica psicológica de massificar, de condicionar ou até mesmo de controlar o pensamento do povo em geral, para vender a ideia de que a Petrobrás deve ser privatizada sem nenhuma resistência. Esse parece ser o foco de muitos inimigos da Petrobras.

 

A AEPET não poderia deixar de analisar sob esse enfoque o que parece ser uma trama bem armada.

 

A AEPET é uma associação que tem entre seus objetivos principais: 

 

a) defender a soberania nacional sob todos os seus aspectos: cultural, econômico, territorial, social e ambiental, dando ênfase ao patrimônio da Petrobrás; 

 

b) defender o monopólio estatal do petróleo e a PETROBRÁS na qualidade de sua executora, como a solução mais adequada ao interesse nacional; 

 

c) defender o Corpo Técnico e lutar pela sua participação nos processos decisórios do Sistema PETROBRÁS. 

 

Enfim, defender a Petrobrás e seus trabalhadores envolvendo todas as áreas técnicas. Defender não significa apoiar as corrupções ou falcatruas envolvendo a Empresa e seus funcionários, mas sim exigir a apuração dos fatos e punir os culpados, quem quer que seja. Porém a Empresa precisa ser preservada. 

A nossa conclusão é que por trás de todos os escândalos envolvendo a Petrobrás, parece haver uma trama por parte dos inimigos da Empresa e de todos os demais interessados na sua privatização, pois eles estão mais vivos do que nunca e aguardando apenas o melhor momento político e social para jogarem as suas garras e acabar com a nossa maior empresa brasileira; afinal, a Petrobrás representa o último obstáculo para evitar que o Brasil perca a sua soberania e volte a ser uma colônia!

Devemos estar de olhos abertos e atentos a tudo que se diz ou escrevem na mídia e também ao que ocorre nos bastidores da Petrobrás. Para isso pedimos a colaboração de todos os petroleiros para que nos escrevam sobre as suas preocupações sobre os mais diversos acontecimentos que envolvam a Petrobrás.

 

Henrique Sotoma é Diretor Administrativo da AEPET


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