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Banco dos BRICS será anunciado dia 15, em Fortaleza

Data: 08/07/2014 

Os cinco países que formam os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) chegaram a um consenso sobre a criação do banco de desenvolvimento de US$ 100 bilhões. Segundo a Agência Reuters, os líderes dos países devem assinar um tratado para lançar oficialmente o banco quando se reunirem em Fortaleza (CE), no dia 15 de julho. 

O novo banco deverá simbolizar a crescente influência das economias emergentes na arquitetura financeira global, mas terá de ser ratificado pelos parlamentos dos países. Após este trâmite, que deve durar cerca de dois anos, o banco poderá dar início aos financiamentos.

Na opinião do economista Paulo Passarinho, apresentador do Programa Faixa Livre, está em andamento uma estratégia de articulação institucional fora da área de influência dos Estados Unidos e, futuramente, do dólar como moeda única de reserva.

“É uma articulação importante, embora a princípio seja difícil fugir das transações em dólar. Mas o novo banco ajudará na contraposição às políticas norte-americanas”, pondera Passarinho, que integra o Conselho Regional de Economia (Corecon-RJ). O economista considera natural o fato de existirem diferentes posturas assumidas por cada integrante dos Brics no que tange às relações exteriores. Essas diferenças, porém, foram superadas para que o novo banco seja oficializado no dia 15. 

Já Adriano Benayon, também economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), também vê com bons olhos a criação de uma instituição que possa fazer frete ao domínio de europeus e norte-americanos sobre os bancos multilaterais tradicionais (FMI e Banco Mundial). 

“Os acordos que instituíram o Banco Mundial e o FMI  deram primazia ao dólar como moeda de reserva mundial, mas estabeleciam limite à tirania financeira angloamericana, porquanto os EUA se comprometiam a vender ouro em troca de dólares, à taxa fixa de US$ 35,00 por onça-troy (31 gramas). Entretanto, em agosto de 1971, os EUA romperam oficialmente os acordos de Bretton Woods, que já descumpriam na prática, desde, pelo menos, 1968, ao dificultar, a entrega do ouro”, lembra Benayon.

Na opinião do professor da UnB, existe uma oligarquia financeira de origem predominantemente angloamericana “que visa exclusivamente ao poder mundial ilimitado e não acredita em ideologias”.

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