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Política de conteúdo nacional mostra sua importância

Data: 07/07/2014 

Segundo o Sindicato Nacional da Construção Naval (Sinaval), enquanto a economia do Brasil deve crescer apenas 1,24% este ano, o aumento de produção nos estaleiros deve chegar a 15%. Além disso, o setor deve ser beneficiado com ganho de produtividade da mesma ordem (15%).

De acordo com o presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, em entrevista ao colunista Sérgio Barreto, do jornal Monitor Mercantil, tais ganhos irão se refletir na geração de empregos diretos, cujo total deve saltar dos atuais 79 mil para 100 mil em meados do próximo ano. 

Além disso, para atender a essa demanda liderada pela Petrobrás e suas subsidiárias, haverá muitas expansões de estaleiros já existentes e a construção de três novos já está em andamento: Wilson, Sons, no Rio Grande do Sul; Jurong (de Cingapura), no Espírito Santo; e o Enseada Paraguassu, na Bahia, dos grupos Odebrecht/UTC/OAS/Kawasaki. Em barcos de apoio, a Petrobrás deverá se aproximar em breve de 130 barcos contratados, próximo, portanto, à meta anunciada, de 146 barcos.

Vale destacar também a declaração do presidente do Estaleiro Syndarma, Bruno Lima Rocha, para quem o país precisa ter sua própria marinha mercante, já que os navios brasileiros se limitam a 2% ou 3% do comércio gerado no país.

O presidente do Sinaval concorda com o colega do Syndirama. “Tudo no Brasil é mais caro, da energia elétrica ao ferro e ao cimento. Graças ao Fundo de Marinha Mercante, podemos competir em preço com Europa, Estados Unidos e Japão, mas não com a China. Além disso, nenhum economista do mundo sabe se o subsídio chinês é de 1% ou de 200% do preço de cada produto”, observa.

Na mesma matéria, Rocha qualifica comentários de que a política de conteúdo nacional poderia ser substituída por importações como um balão de ensaio. Frisa que, exceção feita a sondas, o conteúdo nacional varia de 45% a 70% nos estaleiros, sendo de 62% em navios, conforme dados do Fundo de Marinha Mercante. O Sinaval está preparando um documento para os presidenciáveis, no qual mostrará os benefícios da política de conteúdo local. 

Para o vice-presidente da AEPET, Fernando Siqueira, os números do Sinaval confirmam o acerto do governo ao promover políticas de conteúdo local executadas pela Petrobrás. Com relação ao ganho de produtividade, ele acrescenta que também é uma conseqüência dessa política e espera que no médio prazo a indústria naval ganhe competitividade e know how para evitar situações como a do já citado Estaleiro Enseada do Paraguaçu (EEP), que está sendo construído no Recôncavo Baiano. 

“É o maior investimento privado em curso no estado da Bahia, mas a construtora Odebrecht teve de se associar a estaleiros japoneses porque após o desmonte do setor naval promovido no governo Fernando Henrique Cardoso sofre com perda de conhecimento, obrigando essas associações com empresas estrangeiras, que recebem inclusive recursos do Fundo de Marinha Mercante.”

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