Petróleo e Política

Ex-presidente da Petrobras diz que valores da compra de refinaria são diferentes

Data: 09/04/2014 
Fonte: Agência Brasil

Ex-presidente da Petrobras diz que valores da compra de refinaria são diferentes

Entre as informações apresentadas pelo ex-dirigente da estatal, está a de que o preço pago pelo sócio belga Astra inclui, além dos US$ 42 milhões já conhecidos, o pagamento de dívidas que chegariam a mais de US$ 200 milhões

O ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli disse nesta terça-feira (8) que as informações divulgadas sobre a compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, são “mentirosas”, ao falar sobre o negócio com deputados petistas. Entre as informações apresentadas pelo ex-dirigente da estatal, está a de que o preço pago pelo sócio belga Astra inclui, além dos US$ 42 milhões já conhecidos, o pagamento de dívidas que chegariam a mais de US$ 200 milhões. Além disso, o preço pago pela Petrobras foi US$ 486 milhões, e não US$ 1,1 bilhão, segundo garantiu.

Como em outras vezes em que esteve no Congresso Nacional para falar sobre o assunto, Gabrielli mostrou números que, segundo ele, comprovam que o negócio transcorreu de forma legal e adequada. A compra da refinaria está sendo investigada pela Polícia Federal, pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público e Congresso Nacional por suspeita de superfaturamento e evasão de divisas. Os parlamentares governistas que participaram do encontro a portas fechadas se declararam tranquilos em relação ao negócio.

Segundo Garbielli, nas contas que vêm sendo divulgadas, não têm sido incluídos os valores que o grupo belga Astra Oil, responsável pela compra da outra metade das ações da refinaria, em 2006, pagou em dívidas, passivos trabalhistas e investimentos para adequação ambiental daquela indústria.

O ex-dirigente da estatal explicou que foi convidado pela bancada do partido para “esclarecer fatos e combater as versões fantasiosas e eleitoreiras que estão sendo veiculadas”. Segundo ele, “uma mentira repetida inúmeras vezes vira verdade”. De acordo com o ex-presidente, o grupo belga Astra não pagou apenas US$ 42 milhões na parte da refinaria porque teve que pagar outros valores em dívidas que chegaram a mais de US$ 200 milhões.

“E a Petrobras pagou US$ 486 milhões, e não US$ 1,1 bilhão. A diferença foi referente a estoques que foram vendidos, despesas bancárias para garantir a comercialização do produto e despesas judiciais. Foi um negocio absolutamente normal”, detalhou.

Segundo ele, outra ideia falsa “implantada” pela oposição é a de que a compra foi um mau negócio. “Foi um bom negócio, que refletiu a estratégia [da estatal] de conseguir refino nos Estados Unidos. É falso dizer que foi ruim”, disse. A explicação de Gabrielli é a de que a refinaria é um negócio que foi afetado pelas mudanças no mercado decorrentes da crise internacional de 2008 e do aproveitamento do gás de xisto pelo mercado norte-americano.

Na conversa com jornalistas, depois da reunião da bancada do PT, o ex-presidente da Petrobras ainda explicou que a cláusula Marlim foi considerada inválida pela Justiça dos Estados Unidos, na disputa judicial entre a Petrobras e a Astra. Ele ainda disse que a cláusula do tipo Put Option também não prejudicou a estatal “É um acordo de divórcio. Uma cláusula normal quando se refere a grandes negócios. Continuo defendendo que o negocio foi correto”, disse.

As cláusulas foram omitidas em um resumo executivo elaborado pela área internacional da Petrobras, comandada pelo ex-diretor Nestor Cerveró. O documento provocou uma crise depois que o Planalto divulgou nota explicando que a autorização do negócio dada pelo conselho de administração da empresa, presidido na época por Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil, se baseou em relatório com informações incompletas sobre o negócio.

Gabrielli acrescentou que quem tomou a iniciativa de entrar na Justiça em 2008 foi a Petrobras, que queria modernizar a refinaria. Em julho de 2008, o grupo Astra entrou contra a Petrobras alegando que tinha que ser aplicada a cláusula Marlim. “Em 2012, a Justiça concluiu que a cláusula Marlim não é válida e que o cálculo seria feito a partir da Put Option, considerando os termos do contrato original, dentro das condições econômicas da época”, explicou.

Com as informações nas mãos, o PT decidiu que não vai tentar dialogar com a oposição para tentar barrar os impasses em torno da instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar as denúncias. “Quem disse que não queremos CPI?”, questionou o líder do PT na Câmara dos Deputados, Vicentinho (SP), ao falar das assinaturas recolhidas para uma comissão de inquérito ampliada para investigar outras denúncias, como o do metrô de São Paulo. “Estamos dispostos e queremos que a Mesa [do Congresso] defina, para apurarmos todos esses casos”, afirmou.

A compra da refinaria é um dos negócios da Petrobras que estão na lista de investigação que partidos da oposição querem fazer no Congresso, a partir de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI). Mas a instalação desse colegiado e as dimensões que a CPI deve ter, tanto em relação ao objeto de apuração quanto ao tamanho (se uma CPI exclusiva do Senado ou mista) ainda esbarra em impasse entre as bancadas da oposição e do governo.

Fonte: Agência Brasil

Conteúdo Relacionado

Tags

Petróleo Política Óleo Leilão Greve dos Petroleiros Ciência e Tecnologia AEPET Aposentadorias Aposentados Leilão de Libra Leilão de Xisto Gás de Xisto Campanha Salarial Crise na OGX Direitos Humanos Direitos Trabalhistas Desigualdade Social Educação Meio Ambiente Europa EUA Guerra Greve História Justiça Manifestações Mensalão Mercosul Transporte Tortura Terceirização Violência Venezuela Economia Saúde Gasolina Engenharia mobilidade Gás Energia Pré-sal Refinaria Faixa Livre Xingu mst Comperj Dívida Pública Governo Água Universidade Luz Irã Selic Emprego Trabalho Síria Medicina Médicos Argentina Brasil Ucrânia rádio PCB Juros Protesto Carnaval PSTU PT Greve dos Garis Plataforma UPPs PIDV Heitor Manoel Pereira Fernando Siqueira Diomedes Cesário Silvio Sinedino Ronaldo Tedesco Diretoria Diretoria AEPET ROYALTIES CPI dos ônibus Denúnicas Petrobras Pasadena Segurança no RJ Caso Juíza Accioli Petrobrás na berlinda Força Armadas nas favelas do RJ segurança pública Chico Mendes Dedução do IR Situação Saúde Situação da Saúde STF CPI da Petrorás sindipetro O Brasil hoje TKCSA libra Economia da América Latina Luis Nassif Graça Foster Petrobras Situação da economia Superfaturamento da Copa e da Olimpíada do RJ Pedro Celestino Pereira Paralização da rede estadual Paralização dos prof. da rede municipal Greve dos professores Eleições no Sindpetro Opep Sandra Quintela PIB Pesquisa eleitoral Psol pre-sal leilões investimentos economia brasileira O GLOBO neoliberalismo reservas TCU Ildo Sauer Eleições na AEPET desenvolvimento Comissão da Verdade China capital financeiro Desenvolvimento Sustentável presidenciáveis preços inflação Futebol Polícia Militar preço dos combustíveis Anistia Debate Brasil delação premiada Eleições Professores ONU Arábia Saudita Escobar César Benjamin Paulo Metri Dilma Rousseff Política Federal Momento político Grécia lava jato Planos de saúde Crises Maioridade penal Reforma Política Greve na ADUFRJ Ocupação na Câmara Novos partidos Senado Greve dos bancários Situação dos médicos nos planos de saúde Progrma Mais Médicos Ocupação da Câmara dos Vereadores Política brasileira Leilão do Pré-sal Leilão de petróleo Esilio de Snowden CPI de ônibus Leilão de Libra Programa Mais Médico Site do Brasil nunca mais Porto do Açu Greve de professores CPI ensino particular Espionagem Petrobras Papa Despejo na Ilha do Governador Bolívia Ato em defesa da Petrobras Assembléia Homenagem Aldeia Maracanã Seminário Petrobrás Epaminondas de Souza Mendes Economia Mundial Equador Rio de Janeiro Politica Conflitos em Campos Drogas crise politica Alex Prado Momento ´jurídico Eldorado-Carajás Pastor Polícia Livro sobre a UH filme PEC 241 Caramuru Abril vermelho Caso Cachoeira