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Colunista Fernando Brito

Às favas com a realidade: estamos em franca recuperação econômica!

Data: 20/10/2016 
Fonte: Tijolaço Autor: Fernando Brito

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Agora vai: o governo cortou despesas – muito embora o déficit público só aumente, com as estrondosas quedas na arrecadação de impostos.

Os agentes econômicos estão confiantes –  muito embora a atividade econômica só decresça.

A inflação está baixando, muito embora o único que baixado nestes últimos 12 meses, de forma significativa. tenham sido os preços administrados, que o senhor Joaquim Levy, sob os aplausos do “mercado” ,fez corrigir e aumentar  sem qualquer gradualismo.

Estamos saindo da crise, afinal, em apenas seis meses da luminosa liderança do guia genial dos povos, Michel Temer, o “homem que vai unir o Brasil”.

Como diria a garotada: “só que não”…

Os dados reais da economia – como registra hoje matéria de Fabio Graner no Valor, indicam tudo, menos uma retomada econômica.

Queda real contínua na arrecadação – mesmo com uma base de comparação catastrófica como foi a do segundo semestre de 2015 – retração do crédito, ampliação do déficit público, investimentos encolhidos e os Estados, quebrados, literalmente.

Aliás, entre as grandes unidades da Federação, a única ue ainda não pôs a língua de fora foi a de São Paulo, e é questão de tempo. O próprio Geraldo Alckmin admitiu, publicamente, que a queda na arrecadação em setembro deve ficar em torno de R$ 1 bilhão, o que é entre 8 e 9% menos que o arrecadado em agosto.

Como, no setor privado, não há aumento do do emprego nem da massa salarial, muito pelo contrário, há menos dinheiro circulando.

Os dois principais componentes da demanda agregada – uma das formas de medição do PIB – que respondem por três quartos do resultado final, portanto, seguem caindo.

Que PIB pode subir assim? E, lembrem, a queda econômica não se reverte de um trimestre para outro por qualquer coisa, porque os indicadores arrastam consigo uma “taxa de carregamento” que não “some”, simplesmente.

É a mesma cantilena que ouvidos durante décadas, paramos de ouvir nos tempos de Lula e voltamos a escutar quando o comando da política econômica foi entregue aos adversários do desenvolvimentismo, nas mãos de Joaquim Levy: “é preciso que hoje fique ruim para que amanhã fique melhor”.

O que pode acontecer, no Brasil, na “melhor” das hipóteses é uma estagnação no buraco, porque não há mais onde cair.

Festa, mesmo, só no mundo da especulação e das finanças que, como todos sabem, ganha dinheiro até dormindo.



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